O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, acusou nesta quinta-feira observadores eleitorais estrangeiros de estarem por trás de fraudes cometidas durante as eleições afegãs do ano passado. Karzai reconheceu que a fraude foi disseminada, mas acusou os estrangeiros de responsabilidade, afirmando que a ONU centralizou as irregularidades.

Reuters
Karzai discursa nesta quinta-feira
Karzai discursa nesta quinta-feira
"Não há dúvida de que houve fraude nas eleições presidenciais e regionais, mas não foi feita por afegãos, mas sim estrangeiros, fraudes de Galbraith (Peter Galbraith, vice-chefe da missão da ONU na época da eleição) ou Morillon (Philippe Morillon, então chefe dos observadores da União Europeia)", disse ele.

Karzai disse que Gailbraith organizou a fraude, fornecendo detalhes para a imprensa internacional para difamá-lo. Mais de um milhão de votos foram rejeitados depois de uma recontagem no ano passado - a maior parte deles em favor de Karzai, que buscava a reeleição.

Colisão

Galbraith, um ex-diplomata americano, foi afastado do cargo da missão da ONU depois de acusar a organização de não estar fazendo o suficiente para combater as fraudes eleitorais.

Ele disse que as acusações de Karzai contra ele são "absurdas". "A princípio pensei que era uma piada de primeiro de abril, mas percebi logo que não sou tão próximo do presidente Karzai para isso."
Para Galbraith, as declarações de Karzai reforçam o fato de houve irregularidades no pleito.

A comissão eleitoral afegã apontou como sinais de fraude o fato de seções eleitorais terem registrado comparecimento acima de 100%, enquanto que outras, que estavam fechadas, tiveram votos foram computados. A ONU em Cabul não quis comentar as alegações do presidente afegão.

Os comentários de Karzai ocorrem um dia depois de o Parlamento rejeitar a tentativa do presidente de estabelecer uma comissão eleitoral formada exclusivamente por afegãos.

O correspondente da BBC em Cabul David Loyn diz que o presidente tentará ao máximo controlar o processo eleitoral.

Isso o colocaria em rota de colisão com o líder americano, Barack Obama, que vem pressionando Karzai para combater a corrupção no país.

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