TEERÃ - O clérigo opositor iraniano Mehdi Karroubi disse nesta segunda-feira que não renunciará a suas reivindicações, entre elas a de liberdade e segurança para que a oposição possa se manifestar contra o resultado das eleições de 12 de junho, quando o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, foi declarado reeleito.

Em declarações publicadas pela agência de notícias local "Fars", o líder opositor diz reconhecer que o atual presidente do país é Ahmadinejad, mas mantém a denúncia de que a vitória eleitoral foi irregular.

"Reconheço a presidência de Ahmadinejad, mas mantenho minhas reivindicações", disse Karroubi à "Fars", agência que a oposição considera próxima à Guarda Revolucionária, corpo de elite das Forças de Segurança iranianas.

Karroubi, derrotado na votação juntamente com o candidato moderado Mir Hussein Moussavi, voltou a pedir no domingo em seu site a realização de eleições livres e autorização para que a oposição possa se manifestar.

"Eleições livres e manifestações livres com segurança para os partidários de Karroubi ou Moussavi demonstrarão qual é o sentimento do povo", disse o clérigo em seu site, "Sahamnews.org".

O Irã está imerso em uma grave crise política e social desde que Ahmadinejad foi declarado reeleito, o que a oposição considera fruto de uma fraude maciça.

No dia seguinte à eleição, centenas de milhares de iranianos foram às ruas ao grito de "onde está meu voto?". A violenta repressão aos protestos deixaram pelo menos 30 mortos, segundo números oficiais, e 72, de acordo com o cálculo dos opositores.

Além disso, milhares foram detidas, entre elas centenas de responsáveis e partidários da oposição reformista, que foram julgados e condenados a penas de prisão pela suposta participação em uma conspiração articulada no exterior .

Os protestos, que ocorrem há sete meses, agravaram-se em 27 de dezembro, após uma violenta repressão que deixou oito mortos, segundo números oficiais .

O regime iraniano acusou os EUA e o Reino Unido de incitar a pior crise pela qual passa a República Islâmica desde sua fundação, em 1979.

Alguns membros da linha dura do regime, tanto clérigos quanto militares e políticos, pediram que Karroubi e Moussavi sejam presos e julgados por ameaçar a segurança nacional.

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