Karadzic volta a insistir em acordo de imunidade

Belgrado, 28 dez (EFE).- O ex-líder servo-bósnio Radovan Karadzic, detido à espera de julgamento por crimes de guerra, voltou a insistir hoje em que tinha feito um acordo com o ex-mediador americano Richard Holbrooke para obter a imunidade em troca de que abandonasse a política.

EFE |

Holbrooke "teria cumprido seu compromisso se pudesse, mas ele não quer reconhecer, e isso não é bonito", afirma Karadzic, em entrevista publicada hoje pelo jornal sérvio "Novosti".

Karadzic falou sobre um acordo que teria feito em 1996 com Holbrooke e que garantia que não seria processado no Tribunal Penal Internacional para a Antiga Iugoslávia (TPII) por causa de sua atuação na Guerra da Bósnia (1992-1995), em troca de sua retirada total da vida política e pública.

Detido em julho de 2008, em Belgrado, e enviado ao TPII, Karadzic é acusado de genocídio em relação ao massacre de Srebrenica, o cerco a Sarajevo e outros crimes de guerra.

Há alguns meses, o TPII rejeitou seu pedido para a retirada das acusações contra ele por causa desse suposto acordo com Holbrooke, ao considerar que, mesmo que fosse verdade, o conteúdo não compromete o tribunal das Nações Unidas.

Karadzic esteve foragido durante mais de 12 anos e liderava a lista dos procurados pela Justiça internacional.

Em declarações ao jornal, disse que, durante um longo período, se escondia "longe das cidades, da família e dos amigos", e, por um tempo, "com considerável (corpo de) segurança", mas que depois teve que ficar sozinho, por isso precisou de documentos "convincentes" e nova identidade.

O ex-líder servo-bósnio se escondia sob um nome falso e com aparência diferente, e trabalhava como médico naturista antes de ser capturado.

O acusado, que se defenderá apenas com ajuda de assessores jurídicos, disse que sua defesa se baseará "na verdade (...), que é diametralmente oposta à imagem criada". EFE sn/an

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