Karadzic terá TV, internet e visitas livres em Haia

O ex-líder sérvio da Bósnia Radovan Karadzic vai ocupar uma cela semelhante à do ex-presidente iugoslavo Slobodan Milosevic durante o processo no Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia, em Haia, na Holanda, e terá mais liberdades que prisioneiros comuns. Karadzic chegou à penitenciária no bairro de Scheveningen, em Haia, nesta quarta-feira pela manhã.

BBC Brasil |

Ele está detido em uma cela de 15 metros quadrados da unidade especial da prisão alugada pelas Nações Unidas especialmente para abrigar os acusados do Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia.

Os prisioneiros desta ala da prisão têm mais liberdades que os prisioneiros comuns.

Eles podem permanecer mais tempo fora de suas celas, têm a possibilidade de cozinhar sua própria comida, podem assistir televisão com canais via satélite e recebem visitas sem limitação de horário.

No caso de Karadzic, como ele pretende fazer sua própria defesa, ele vai ter um escritório separado, com computador e acesso à internet. O mesmo direito teve Slobodan Milosevic, que recusou a defesa por advogados e morreu de ataque cardíaco em sua cela, em 2006, antes da conclusão do processo contra ele.

Outros 37 prisioneiros em custódia da ONU estão fazendo companhia a Karadzic. Eles foram indiciados por seus papéis nos crimes cometidos nos conflitos armados na Croácia e na Bósnia, entre 1992 e 1995, e em Kosovo, em 1999.

Prisioneiros absolvidos pelo tribunal de Haia dizem que as rivalidades étnicas que provocaram os sangrentos conflitos nos Bálcãs, na década de 90, são deixadas do lado de fora das paredes da prisão.

A maioria dos detentos tem contato social com outros prisioneiros independentemente de suas origens étnicas e fazem várias atividades coletivas, como cozinhar, participar de torneios e competições e celebrar juntos feriados religiosos.

Processo
Karadzic é acusado de crimes de guerra e genocídio, entre outros crimes. Ele deve se apresentar ao tribunal nesta quinta-feira e ouvir as onze acusações que pesam sobre ele, reunidas em 17 páginas.

O processo em si vai levar alguns meses para ser iniciado devido aos preparativos.

O julgamento estava previsto para durar de dois a três anos, mas pode levar mais tempo do que isso.

De acordo com o promotor-chefe do Tribunal, Serge Brammertz, o julgamento vai ser complexo, já que o acusado pretende fazer sua própria defesa e precisará de mais tempo para estudar o próprio processo.

Além disso, ainda precisará ser implantado um sistema de proteção às testemunhas específico para o caso.

"As testemunhas precisam se sentir seguras e protegidas para vir até Haia depor", disse o promotor.

Outro fator que pode influenciar até mesmo o início do processo é a falta de pessoal.

O Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia estava previsto para fechar suas portas entre 2009 e 2010. Com esta perspectiva, muitos especialistas pediram demissão ou estão em busca de um novo emprego. A prisão de Karadzic exige uma nova reestruturação para o Tribunal.

    Leia tudo sobre: karadzic

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG