Karadzic será levado ao TPII para ser julgado por genocídio

Haia, 21 jul (EFE) - Radovan Karadzic, o ex-líder dos bósnios da Sérvia, será levado em um futuro próximo ao Tribunal Penal Internacional para a Antiga Iugoslávia (TPII), para ser julgado por genocídio. O promotor-chefe do TPII, Serge Brammertz, disse hoje após conhecer a detenção que a data de transferência de Karadzic às dependências penitenciárias do Tribunal serão determinadas em seu devido tempo, mas sem precisar quando. Ao chegar à capital administrativa holandesa, Karadzic será internado em uma cela do centro de detenção das Nações Unidas em Scheveningen (junto a Haia), onde representantes da Secretaria Judicial do TPII explicarão quais são seus direitos e Brammertz o visitará. No prazo máximo de uma semana, Karadzic fará seu primeiro comparecimento, assistido por seu próprio advogado ou, caso não o tenha, por um membro da Associação de Advogados do TPII, segundo explicaram fontes desta corte. Caso Karadzic opte por um advogado dos Bálcãs, este tem que poder trabalhar obrigatoriamente em pelo menos um dos dois idiomas oficiais do Tribunal, o inglês ou o francês. Durante seu primeiro comparecimento, o ex-líder servo-bósnio terá que se declarar culpado ou inocente das acusações de genocídio e crimes de lesa-humanidade e de guerra. Se Karadzic se declarar culpado, só será organizada uma audiência para determinar a condenação, mas se disser ser inocente, começarão os preparativos para seu julgamento. Durante este período preparatório, terá...

EFE |

Após a captura de Karadzic, ainda permanecem foragidos Ratko Mladic, o ex-líder militar dos sérvios da Bósnia, o principal dos dois acusados de graves violações do direito internacional pelo TPII, e Goran Hadzic, ex-líder dos servo-croatas de Krajina.

Karadzic e Mladic, de 65 anos, são considerados os principais responsáveis pelo massacre de oito mil muçulmanos em 11 de julho de 1995 em Srebrenica (Bósnia) e do ataque a Sarajevo, que deixou dez mil mortos durante a guerra bósnia (1992-95).

O TPII, criado em 1993 pela ONU para processar os responsáveis dos crimes cometidos nas guerras de decomposição da antiga federação iugoslava na década passada, deveria fechar as portas no máximo até 2010.

Por isso, alguns dos casos contra acusados de menor categoria devem ser cedidos às judicaturas nacionais.

A condenação máxima que podem os juízes do TPII impor é a prisão perpétua, que tem que ser realizada em um dos países que assinaram um acordo com a ONU para aceitar pessoas condenadas.

O TPII acusou um total de 161 pessoas pelos crimes contra a humanidade cometidos na antiga Iugoslávia, e só restam dois foragidos, enquanto concluíram os julgamentos de 115 acusados. EFE kl/db

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