Karadzic segue outros criminosos de guerra e fará sua própria defesa no TPII

Snezana Stanojevic Belgrado, 23 jul (EFE).- O acusado de crimes de guerra servo-bósnio Radovan Karadzic decidiu que se defenderá sozinho no processo perante a Justiça internacional, seguindo a mesma estratégia escolhida por outros acusados, como o ex-presidente sérvio Slobodan Milosevic e o ex-líder radical Vojislav Seselj.

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No entanto, Karadzic contará com a ajuda de uma equipe de assessores para seu julgamento no Tribunal Penal Internacional para a Antiga Iugoslávia (TPII), informou hoje em Belgrado seu advogado, Svetozar Vujacic.

"Ele decidiu se defender sozinho. Considera que será a melhor forma de defesa, pois está entusiasmado com a defesa de Seselj, segundo me disse. Terá uma equipe de consultores especiais", declarou o advogado perante a imprensa.

Seselj, ex-líder do Partido Radical Sérvio (SRS), jurista de profissão e que se entregou voluntariamente em 2003 após ser acusado de crimes de guerra na Croácia, resistiu a qualquer possibilidade de ter um advogado imposto.

Da mesma forma, o ex-presidente da antiga Iugoslávia Slobodan Milosevic, acusado de genocídio, tinha se defendido sem assistência legal em seu julgamento perante o TPII.

Karadzic, de 63 anos, foi detido na noite de segunda-feira perto de Belgrado, onde vivia e trabalhava com identidade falsa.

O ex-presidente bósnio é acusado pelo TPII de genocídio em relação ao massacre de milhares de muçulmanos em Srebrenica e de graves crimes de guerra cometidos durante o cerco a Sarajevo, entre outras acusações.

Vujacic disse que Karadzic "está cheio de força e energia, em boa saúde psíquica e física, otimista, seguro de que a Justiça e a verdade triunfarão, com a ajuda de Deus".

O advogado, que visitou hoje seu cliente na prisão, declarou que Karadzic "está de novo, igualmente há 14 anos, barbeado, com o cabelo cortado e, assombrosamente, não envelheceu nada. Só está um pouco mais magro".

Até sua detenção, Karadzic, que se escondia sob a identidade falsa de "Dragan Dabic", tinha barba branca e o cabelo branco, aspecto muito diferente do que tinha em suas últimas aparições públicas em 1998.

Após sua detenção, Karadzic pediu que cortassem seu cabelo e a barba.

Vujacic não descartou que seu cliente possa ser extraditado este final de semana para o TPII, possibilidade anunciada pelo porta-voz da Promotoria especial sérvia de crimes de guerra, Bruno Vekaric.

No entanto, o advogado disse que recorrerá da extradição na sexta-feira, último dia de prazo legal previsto.

Vujacic explicou que seu objetivo é atrasar o processo, para que Karadzic não possa ser extraditado antes da segunda-feira e que sua família, que mora na Bósnia, possa vir a Belgrado para visitá-lo.

A família de Karadzic não pode se mudar para Belgrado porque o Escritório do Alto Representante Internacional na Bósnia-Herzegovina apreendeu seus documentos de identidade ao suspeitar que fizessem parte de uma rede de apoio ao acusado.

A filha de Karadzic, Sonja, declarou a emissoras sérvias que o pedido da família, feito na terça-feira, ainda não tinha sido atendido.

"Minha mãe está muito doente, essa é a principal razão pela qual pedimos que nossos documentos sejam devolvidos. Queremos ir a Belgrado para ver nosso pai. Não podemos viajar para Haia, por isso penso que esta é a última ocasião para vê-lo", disse.

Luka, o irmão mais novo de Karadzic, disse hoje à agência de notícias "Tanjug" que este estava satisfeito com o tratamento recebido até agora.

"Meu irmão, o advogado e eu mesmo não temos reclamações sobre o tratamento do pessoal (penitenciário), que se comportou de forma muito profissional", disse Luka Karadzic, que hoje visitaria mais uma vez o irmão.

Karadzic já foi interrogado por um juiz de instrução no tribunal especial de crimes de guerra, dando início assim aos procedimentos legais para sua extradição para o TPII.

O porta-voz do tribunal reiterou hoje que Karadzic foi detido na segunda-feira à noite, e não na sexta-feira, como diz o acusado, "todo o resto é especulação que vemos como defesa, o que é seu direito legítimo". EFE Sn/wr/rr

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