Karadzic se recusa a responder ao juiz em tribunal de Haia

O ex-líder sérvio da Bósnia, Radovan Karadzic, se recusou nesta sexta-feira a se declarar culpado ou inocente diante do juiz do Tribunal Internacional para a ex-Iugoslávia, em Haia, na Holanda. De acordo com as regras do tribunal, diante da recusa de Karadzic, o juiz Iain Bonomy foi obrigado a lhe declarar automaticamente como não-culpado pelas 11 acusações de crimes cometidos durante a Guerra da Bósnia, nos anos 90.

BBC Brasil |

Logo após ouvir a declaração do juiz, Karadzic pediu a palavra:
"Eu não sou culpado", disse ele.

O juiz respondeu dizendo que "isto será analisado no decorrer do julgamento".

O correspondente da BBC em Haia Mike Wooldridge, disse que era quase inimaginável que Karadzic se declarasse culpado pelos crimes.

Ataques
Aparentando calma, o ex-líder sérvio disse que o tribunal era uma "corte da Otan" (Organização do tratado do Atlântico Norte), cujo objetivo é "liquidá-lo".

"Eu parei de usar nomes falsos, então acho que todas as partes deveriam fazer o mesmo", disse ele.

Esta é a segunda vez que Karadzic se apresenta ao tribunal. Na primeira vez, no início deste mês, ele denunciou uma "caça às bruxas" na cobertura da mídia sobre seu caso.

Segundo ele, em sua detenção, ocorreram "muitas irregularidades enormes".

Karadzic ainda reclamou do juiz holandês Alphons Orie, acusando-o de parcialidade no caso. Orie foi subtituído por Iain Bonomy.

O ex-líder sérvio foi preso no dia 21 de julho na região de Belgrado, depois de permanecer 13 anos foragido.

Ele é acusado de liderar o massacre de milhares de muçulmanos bósnios e de croatas durante a Guerra da Bósnia (1992-1995) e foi indiciado duas vezes pelo Tribunal Criminal Internacional para a Ex-Iugoslávia.

Ele foi encontrado trabalhando em uma clínica médica, usando um nome falso e com uma longa barba que o tornou bastante diferente do que era no tempo da guerra.

Karadzic tinha sido visto em público pela última vez na Bósnia em 1996.

Ele foi transferido para o Tribunal de Haia no fim do mês passado e está preso em uma cela de 15m².

O ex-líder voltará a se pronunciar no tribunal no mês que vem.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG