Karadzic se recusa a declarar culpa ou inocência em Haia

O ex-líder sérvio da Bósnia, Radovan Karadzic, se recusou novamente nesta terça-feira a se declarar culpado ou inocente da acusação de crimes de guerra em um tribunal das Nações Unidas em Haia, na Holanda. Os promotores em Haia reformularam as denúncias, e Karadzic agora enfrenta duas acusações de genocídio, em vez de apenas uma.

BBC Brasil |

AFP
Karadzic se apresenta ao tribunal
Karadzic se apresenta ao tribunal
Pesam ainda sobre ele nove acusações de crimes de guerra e crimes contra a humanidade. A recusa de Karadzic levou os juízes do tribunal a registrarem automaticamente uma declaração de inocente em nome do réu.

Ao entrar no tribunal, Karadzic disse que não iria "fazer declaração nenhuma". "Este tribunal não tem o direito de me julgar", afirmou o ex-líder sérvio da Bósnia.

O juiz Iain Bonomy respondeu que registraria a alegação de "inocente" para Karadzic em todas as 11 acusações contra ele.

O ex-líder sérvio da Bósnia foi preso na capital sérvia, Belgrado, no ano passado, depois de permanecer foragido por mais de dez anos.

As principais alegações contra Karadzic são feitas em função de sua liderança política nos conflitos da década de 90 que se seguiram à desintegração da Iugoslávia.

Entre as acusações contra Karadzic está o suposto envolvimento no cerco de Sarajevo e o massacre em Srebrenica, considerado a pior atrocidade ocorrida na Europa desde a 2ª Guerra Mundial. No episódio, milhares de homens adultos e meninos muçulmanos da Bósnia foram mortos.

A reformulação das acusações ofereceu a Karadzic mais uma oportunidade para fazer uma declaração de culpa ou inocência diante do Tribunal Penal Internacional para a Antiga Iugoslávia (ICTY, em inglês).

Quando ele apareceu pela primeira vez diante do tribunal em Haia, depois de ser capturado em 2008, Karadzic se recusou a fazer uma declaração, dizendo que esperaria até que os promotores tivessem finalizado todas as acusações que desejavam apresentar. A primeira recusa também resultou no registro automático de "inocente" em seu nome.

Genocídio é considerado o crime mais grave pelas leis internacionais, mas é muito difícil provar que um crime do tipo ocorreu por causa da exigência de demonstrar intenção em cometê-lo, de acordo com especialistas em direito internacional.

Até agora, o tribunal de Haia condenou apenas uma pessoa por acusações ligadas a genocídio - o ex-comandante bósnio da Sérvia Radovan Krstic, julgado culpado em 2004.


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