Karadzic se cala, e Haia entende que ele se declara inocente

Por Reed Stevenson e Aaron Gray-Block HAIA (Reuters) - O ex-dirigente servo-bósnio Radovan Karadzic recusou-se a se declarar culpado ou inocente nas acusações de crimes de guerra e genocídio, e por isso na sexta-feira o tribunal da ONU para a ex-Iugoslávia entendeu que ele se considera não-culpado.

Reuters |

Karadzic compareceu a esta segunda audiência preliminar usando terno escuro e confirmou a intenção de advogar para si próprio. Na primeira audiência, há um mês, o réu, em vez de se declarar culpado ou inocente, questionou a legitimidade da corte.

O ex-presidente dos sérvios da Bósnia, 63 anos, foi indiciado por vários crimes, incluindo por genocídio durante o cerco de 43 meses contra Sarajevo e pelo massacre de 8.000 muçulmanos em Srebrenica, em 1995.

O julgamento propriamente dito deve começar em 2009. Mas a promotoria ainda pode alterar as 11 acusações, o que levaria a novas audiências preliminares, atrasando todo o processo.

Na declaração anterior, Karadzic havia acusado o tribunal especial de Haia de ser 'um sistema jurídico bastardo', destinado a repetir acusações dos EUA e a condená-lo.

Karadzic foi preso em julho em Belgrado, onde vivia disfarçado sob um nome falso, com barbas brancas e uma longa cabeleira, trabalhando como especialista em terapias alternativas. Ele já tirou a barba.

O ex-presidente exigiu que o ex-mediador norte-americano Richard Holbrooke e a ex-secretária de Estado dos EUA Madeleine Albright sejam intimados a depor.

Na primeira audiência depois da extradição para Haia, ele alegou que, sob um acordo secreto realizado há mais de uma década, Holbrooke lhe oferecia imunidade caso ele sumisse após a guerra.

Karadzic diz que Holbrooke renegou o acordo e agora deseja sua morte, algo que o ex-diplomata nega repetidamente desde antes da prisão do servo-bósnio.

Juristas fazem comparações entre o comportamento de Karadzic e o do ex-ditador sérvio Slobodan Milosevic, que também desqualificou o tribunal de Haia, para onde foi extraditado em 2001. Milosevic morreu antes da conclusão do processo.

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