Karadzic recebeu documentos falsos de autoridades sérvias, diz procurador

Belgrado, 24 jul (EFE).- O procurador especial de Belgrado para crimes de guerra, Vladimir Vukcevic, disse que Radovan Karadzic obteve sua identidade falsa no tempo em que seus partidários estiveram no poder na República servo-bósnia, e lhe era favorável o ambiente político na Sérvia.

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Karadzic, ex-presidente da República Sérvia da Bósnia, foi capturado na segunda-feira passada nos arredores de Belgrado, onde vivia sob a identidade falsa de Dragan Dabic e se dedicava à medicina alternativa.

O procurador disse ao jornal "Vecernje Novosti" que um número muito reduzido de pessoas sabia quem era Dabic e anunciou que todos os que ofereciam ajuda a Karadzic terão que responder.

Karadzic é acusado pelo Tribunal Penal Internacional para a Antiga Iugoslávia (TPII) pelo genocídio de Srebrenica, o cerco a Sarajevo e outros graves crimes cometidos durante a Guerra da Bósnia (1992-1995).

As autoridades sérvias não revelaram detalhes sobre as circunstâncias que levaram à captura de Karadzic, e alegam que alguns dados servirão para a busca dos outros dois acusados pelo TPII que seguem foragidos, Ratko Mladic e Goran Hadzic.

Há pouco mais de um mês, foi capturado em uma cidade das proximidades de Belgrado o servo-bósnio Stojan Zupljanin, que também tinha se escondido durante anos da justiça internacional.

"Todas essas ações estão relacionadas. Cada uma que for bem-sucedida é um caminho para a seguinte", disse Vukcevic.

O ex-ministro de Exteriores servo-bósnio Aleksa Buha disse hoje, também ao "Vecernje Novosti", que houve dois acordos entre Karadzic e os Estados Unidos de que o ex-líder não seria perseguido em troca de que saísse da política e da vida pública, e abandonasse a entidade servo-bósnia.

"Assisti ao acordo pactuado em junho de 1996 com Richard Holbrooke (ex-alto cargo americano e promotor do acordo de paz de Dayton). O próprio Holbrooke me disse então que Haia seria passado para Karadzic", disse Buha.

Segundo este ex-político servo-bósnio, que já foi muito próximo a Karadzic, outro acordo semelhante foi pactuado um ano depois em Banja Luka (Bósnia).

Também disse que teve um último encontro com Karadzic em 1997, em Pale, localidade das proximidades de Sarajevo onde o acusado de crimes de guerra vivia durante o conflito, mas não quis falar de detalhes, ao dizer que "Radovan já estava então desaparecido". EFE Sn/an

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