Karadzic não comparece à abertura do julgamento em Haia

O julgamento do ex-líder sérvio bósnio Radovan Karadzic começou nesta segunda-feira, no Tribunal Criminal para a Antiga Iugoslávia, em Haia, com a ausência do réu, que apresentará a própria defesa. Quando os juízes sentaram em suas cadeiras, o banco dos réus estava vazio.

BBC Brasil |

O tribunal - estabelecido pela ONU para julgar os crimes cometidos durante a Guerra da Bósnia - foi adiado até terça-feira, enquanto os magistrados decidem o que fazer.

Karadzic enfrenta 11 acusações, entre elas de genocídio, crimes contra a humanidade e crimes da guerra durante o conflito, nos anos 90.

Na semana passada, Karadzic - que nega as acusações - havia ameaçado boicotar o julgamento, argumentando que não teve tempo de ler as mais de um milhão de páginas do processo e preparar sua defesa.

"O maior, mais complexo, importante e sensível caso já apresentado neste tribunal está prestes a começar sem a preparação adequada", alertou o réu.

A data para o início do julgamento já havia sido adiada duas vezes, e desta vez o ex-líder sérvio da Bósnia havia pedido mais um adiamento de 10 meses.

Em julho passado, a corte rejeitou o apelo de Karadzic para que o caso fosse suspenso porque, segundo ele, o ex-mediador americano Richard Holbrooke havia lhe oferecido imunidade caso concordasse em deixar a vida pública. Holbrooke nega a alegação.

Opções

Os juízes da corte de Haia agora têm que decidir como prosseguir com o julgamento sem a presença de Karadzic. Entre as opções estaria impor um conselho para representá-lo, começar os procedimentos sem ele ou forçá-lo a comparecer.

A apresentação de Karadzic de abertura estava marcada para a semana que vem, mas de acordo com um de seus advogados, ele estaria disposto a boicotar o julgamento até se sentir preparado.

O ex-presidente da República Sérvia (uma das duas regiões da Bósnia-Herzegóvina), chefe do Partido Democrático da Sérvia (SDS) e comandante do exército sérvio da Bósnia se recusou a se declarar culpado ou inocente das acusações, mas afirmou que vai cooperar com a corte para provar sua inocência.

Ele foi indiciado em 1995 por duas acusações de genocídio e vários outros crimes cometidos contra muçulmanos, croatas e outros civis não sérvios da Bósnia durante a guerra que deixou mais de 100 mil mortos entre 1992 e 1995.

As acusações se referem a vários eventos, entre eles a campanha de bombardeio e os ataques de franco-atiradores em Sarajevo, durante o cerco de 44 meses à cidade, no qual cerca de 12 mil civis morreram.

Karadzic também é acusado de estar por trás do massacre de mais de 7.000 homens e jovens bósnios muçulmanos em Srebrenica, em julho de 1995, e dos ataques contra mais de 12 cidades bósnias no início da guerra.

"A promotoria alega que Karadzic cometeu todos esses crimes junto a outros membros de uma operação criminosa conjunta com o objetivo de remover permanentemente os habitantes bósnios muçulmanos e bósnios croatas dos territórios que fariam parte da chamada República Sérvia", afirma um comunicado do tribunal da ONU.

Se for condenado, Karadzic poderá pegar a pena máxima de prisão perpétua.

As informações são de que os juízes querem encerrar o caso até 2012, depois que o julgamento do ex-presidente da Iugoslávia Slobodan Milosevic terminou sem um veredicto depois de quatro anos, com a morte do réu na prisão.

A promotoria reduziu o escopo da acusação e vai convocar menos testemunhas para o julgamento de maior importância até agora na corte da ONU.

Quando Karadzic foi encontrado em julho de 2008, vivendo disfarçado e sob falsa identidade em Belgrado, algumas autoridades afirmaram que o general Ratko Mladic seria o próximo, mas ele continua foragido.

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