Karadzic é extraditado para ser julgado em Haia

O ex-líder sérvio da Bósnia, Radovan Karadzic chegou na manhã desta terça-feira ao centro de detenção do Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia, em Haia, na Holanda. Karadzic foi extraditado nas primeiras horas do dia da capital sérvia, Belgrado, onde estava preso há nove dias após passar mais de uma década foragido.

BBC Brasil |

O ex-líder sérvio deverá responder a 11 acusações, entre elas as de genocídio e crimes contra a humanidade cometidos durante o conflito na Bósnia (1992 a 1995), ocorrido após a desintegração da Iugoslávia.

De acordo com os procedimentos legais, Karadzic será informado sobre seus direitos e deveres e será examinado por um médico.

Ele deve comparecer a uma audiência no tribunal nos próximos dias, em que um juiz detalhará as acusações que pesam contra ele.

A partir de então, o réu terá até 30 dias para apresentar sua defesa.

Defesa
A extradição de Karadizic foi decidida na terça-feira depois que a Justiça afirmou não ter recebido a apelação feita pelo advogado do ex-líder sérvio na sexta-feira.

O recurso teria sido entregue cinco minutos antes do fim do prazo e enviado pelo correio. Mas até a noite da terça-feira a carta não havia chegado ao tribunal sérvio.

Segundo o correspondente da BBC em Haia, Dominic Hughes, há dúvidas sobre se a apelação chegou a ser enviada.

Ainda para o correspondente, uma vez em Haia, Karadizc deve usar os mesmos recursos de defesa aplicados pelo ex-líder sérvio e seu mentor Slobodan Milosevic, quando esteve preso no mesmo tribunal.

Gás lacrimogêneo
O ex-líder sérvio foi indiciado no Tribunal de Haia em julho de 1995, acusado de autorizar a morte de civis durante o cerco de Sarajevo, que durou 43 meses.

Quatro meses depois, foi indiciado por genocídio pela morte de cerca de 8 mil homens e meninos muçulmanos, depois que as forças de seu comandante militar Ratko Mladic tomaram Srebrenica.

A transferência de Karadzic para Haia foi realizada poucas horas depois de uma manifestação em Belgrado contra a sua prisão, que acabou em violência.

Mais de 40 pessoas ficaram feridas em choques entre manifestantes favoráveis ao ex-líder sérvio da Bósnia e a polícia nas ruas da capital sérvia, Belgrado.

A polícia usou balas de borracha e gás lacrimogêneo para dispersar pequenos grupos.

Uma testemunha, Henry Langston, disse à BBC que os manifestantes, a maioria jovens, atacaram os policiais com barras de metal, cestos de lixo e objetos que pegaram nas ruas. Cerca de cem pessoas tentaram romper um cordão de segurança da polícia.

O ato público reuniu cerca de 15 mil pessoas. Os choques ocorreram nos discursos finais da concentração organizada pelo Partido Radical, que é nacionalista.

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