Karadzic diz que tentará atrasar tomada de julgamento mais uma vez

Haia, 28 jan (EFE).- O ex-líder servo-bósnio Radovan Karadzic assegurou hoje no Tribunal Penal Internacional para a Antiga Iugoslávia (TPII) que tentará atrasar mais uma vez a retomada de seu julgamento, previsto para 1º de março.

EFE |

"Apresentarei outra moção para adiar o início do julgamento", declarou durante uma audiência preparatória realizada hoje no TPII, sediado na cidade holandesa de Haia.

No entanto, Karadzic pareceu não impôr impedimentos a expor suas alegações iniciais em 1º de março caso essa tentativa de atrasar novamente seu julgamento seja rejeitada, já que respondeu afirmativamente quando o juiz lhe perguntou se concordava em apresentá-las nessa data e contar com dois dias para isso.

O ex-presidente servo-bósnio aproveitou também a audiência para queixar-se novamente do que considera como poucos recursos destinados pelo tribunal para a preparação de sua defesa e voltou a reivindicar mais remuneração para seus assessores legais.

O juiz respondeu que esperava que esses assuntos se resolvessem "o mais rápido possível" e lembrou a vontade de retomar o julgamento na data prevista.

Se Karadzic não estiver na sala do tribunal em 1º de março, sua defesa será conduzida pelo advogado de ofício atribuído pelos juízes para esse trabalho, o britânico Richard Harvey.

Karadzic recorreu desta nomeação na Câmara de Apelação do TPII, à qual solicita um advogado proveniente de uma região da ex-Iugoslávia. Ainda não há uma decisão sobre o assunto.

O TPII realizará no próximo dia 15 uma nova audiência preparatória na qual se analisarão as moções pendentes antes do começo do julgamento.

O julgamento de Karadzic foi aberto em 27 de outubro do ano passado com as alegações iniciais da Promotoria, mas não prosseguiu devido à recusa do acusado, que faz sua própria defesa, a se apresentar na sala do tribunal.

Diante disso, os juízes nomearam um advogado de ofício e estabeleceram o dia 1º de março como data para retomar o processo e, assim, dar tempo ao magistrado de preparar a defesa.

Karadzic enfrenta 11 acusações formais por crimes de guerra e lesa-humanidade supostamente ocorridos durante a guerra da Bósnia (1992-95).

As acusações de genocídio se referem à morte em 1995 de quase oito mil muçulmanos na cidade bósnia de Srebrenica e às 12 mil vítimas civis do ataque a Sarajevo. EFE mr/bba

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