Karadzic deve encontrar clima cordial em prisão holandesa

Por Alexandra Hudson HAIA, Holanda (Reuters) - Ao ser transferido para a unidade de detenção do Tribunal de Haia, Radovan Karadzic pode esperar por uma cela com banheiro, comida caseira dos Bálcãs e uma atmosfera amigável na qual ex-inimigos jogam pebolim juntos.

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Karadzic, líder dos servo-bósnios durante a Guerra da Bósnia (1992-95) e um dos homens mais procurados do mundo, foi detido na Sérvia, nesta semana, depois de ficar 11 anos foragido.

Autoridades sérvias dizem que ele pode ser extraditado já na segunda-feira para responder a acusações de genocídio pelo massacre de 8.000 muçulmanos bósnios em Srebrenica e pelos 43 meses de cerco a Sarajevo. Os advogados tentam impedir a extradição.

Karadzic se uniria a outros 37 acusados mantidos no Tribunal Criminal Internacional para a ex-Iugoslávia (ICTY) em uma unidade de detenção construída para esse fim dentro de uma prisão holandesa localizada na costa do mar do Norte, perto do balneário de Scheveningen.

Quatro mortes ocorridas nessas instalações, entre as quais a do líder sérvio Slobodan Milosevic, em 2006, deixaram chocados os detentos, mas esse é também um local onde, segundo os prisioneiros, as diferenças étnicas são deixadas de lado em nome da solidariedade.

'Ninguém aqui é sérvio, bósnio ou croata -- eles são apenas detentos', disse um ex-funcionário da corte à Reuters.

Antes de sua captura, Karadzic, que vivia disfarçado de praticante de medicina alternativa, morava em um prédio alto do subúrbio Nova Belgrado e frequentava um bar de sérvios radicais.

O novo lar dele será uma cela de 15 metros quadrados idêntica àquela na qual Milosevic passou os últimos cinco anos de sua vida ouvindo discos de Frank Sinatra e planejando sua defesa.

A corte diz que as celas superam os padrões internacionais em termos de espaço, iluminação e facilidades. Elas se parecem com dormitórios de escola, oferecendo prateleiras, televisão e uma mesinha. Alguns detentos costumam estender colchas sobre sua cama.

Detentos libertados afirmam que as rivalidades étnicas responsáveis por detonar o conflito fratricida surgido depois do esfacelamento da Iugoslávia deixam de ser importantes do lado de lá do muro da prisão.

Atualmente os detentos, que em 2006 possuíam uma idade média de 52 anos, aproveitam-se de sua língua comum para realizar várias atividades juntos, entre as quais cozinhar pratos típicos dos Bálcãs, assistir à TV e disputar jogos de tabuleiro.

A maior parte deles é sérvia, mas também há croatas e muçulmanos. Eles podem participar de celebrações religiosas juntos, ter aulas de inglês e realizar atividades artísticas ou manuais.

Os detentos fazem uma hora de exercício diário ao ar livre, mas não no mesmo espaço usado pelos prisioneiros holandeses.

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