Karadzic deslegitima o TPI, que o declara inocente de ofício

O ex-líder político do sérvios da Bósnia, Radovan Karadzic, negou-se nesta terça-feira a pronunciar culpa ou inocência nos processos ante o Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia (TPI), que o declarou inocente de ofício.

AFP |

"Não me declararei nem culpado nem inocente. Este tribunal não tem o direito de me julgar", declarou Karadzic, que decidiu fazer sua própria defesa.

"Então, em seu lugar, eu o declaro inocente", afirmou o juiz britânico Iain Bonomy, antes de suspender a sessão.

Esta foi a sétima aparição de Radovan Karadzic, de 63 anos, ante o TPI, desde sua prisão em julho de 2008, em Belgrado, depois de 13 anos foragido.

O TPI acusa Karadzic de genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade durante a guerra da Bósnia (1992-1995), que causou 100.000 mortos e 2,2 milhões de deslocados.

Karadzic deveria se defender nesta terça-feira ante uma nova versão da ata de acusação, que foi atualizada em função dos proecessos passados e da evolução da jurisprudência e que foi entregue pelo promotor em fevereiro. A versão em vigor no momento de sua prisão datava de 2000.

A nova ata de acusação atribui a ele dois delitos de genocidio, pelo massacre de 8.000 muçulmanos em Srebrenica (leste da Bósnia) em julho de 1995 e crimes cometidos na Bósnia em 1992, assim como nove outras acusações por crimes de guerra e contra a humanidade.

O texto enfatiza que Karadzic, considerado pela acusação como o "cérebro" da guerra da Bósnia, era "a maior autoridade civil e militar da República sérbia da Bósnia entre 1992 e 1996.

A ata de acusação detalha as perseguições, os extermínios, mortes, atos desumanos, estupros e tomadas de reféns cometidos em 27 municípios bósnios. Radovan Karadzic corre o risco de ser condenado à prisão perpétua.

Segundo o promotor, o acusado é um dos principais artífices de um plano de "expulsão definitiva" dos muçulmanos e croatas que viviam nas regiões da Bósnia-Herzegovina ambicionadas pelos sérvios e bósnios, juntamente com seu braço-direito militar, Ratko Mladic, que continua foragido.

axr/cn

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