Karadzic comparece pela 1ª vez ao Tribunal em Haia

O ex-líder sérvio da Bósnia, Radovan Karadzic, compareceu nesta quinta-feira pela primeira vez ao Tribunal Criminal Internacional para a ex-Iugoslávia, em Haia, na Holanda, onde enfrenta julgamento por crimes cometidos durante a Guerra na Bósnia (1992-1995). Na audiência desta quinta-feira, o juiz Alphons Orie leu um resumo dos 11 crimes dos quais Karadzic é acusado, entre eles genocídio, crimes de guerra e contra a humanidade.

BBC Brasil |

Karadzic, que compareceu sozinho à audiência inicial - embora tenha dito que contou com a ajuda de um "conselheiro invisível" - reclamou de inúmeras irregularidades relacionadas ao seu comparecimento ao tribunal.

Ele disse também que recebeu uma cópia do processo contra ele e pediu mais tempo para terminar de analisá-lo.

O juiz, por sua vez, disse que ele tem 30 dias para se declarar culpado ou inocente e fazer possíveis pedidos de alterações no processo.

Audiência
Karadzic chegou ao tribunal em Haia em um comboio de veículos, pouco antes das 16h (11h em Brasília).

Ele foi preso em Belgrado na semana passada, depois de passar quase 13 anos foragido e vivendo sob disfarce, com um nome falso.

O ex-líder sérvio foi extraditado para a Holanda na quarta-feira e está detido em uma cela de 15 m² em Haia.

Segundo seus advogados, ele estava "relaxado e confiante" na véspera de sua extradição para a Holanda.

O réu já afirmou que pretende fazer sua própria defesa no julgamento, a exemplo do ex-presidente iugoslavo Slobodan Milosevic, que foi julgado pelo mesmo tribunal, mas morreu antes que um veredicto fosse anunciado.

Processo
Segundo analistas, o fato de o ex-líder sérvio ter decidido fazer sua própria defesa significa que esta primeira audiência será apenas o início de uma longa batalha legal.

De acordo com o promotor-chefe do tribunal, Serge Brammertz, o julgamento vai ser complexo, já que o acusado pretende fazer sua própria defesa e precisará de mais tempo para estudar o próprio processo.

Além disso, ainda precisará ser implantado um sistema de proteção às testemunhas específico para o caso.

Em uma coletiva de imprensa na quarta-feira, Brammertz disse que a prisão de Karadzic era "imensamente importante" e que as vítimas da guerra "esperaram muito por esse dia".

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