Karadzic alega exagero sobre Srebrenica e pedirá exames de DNA

Haia, 23 jul (EFE).- O ex-líder servo-bósnio Radovan Karadzic considerou hoje um exagero o número de vítimas atribuído ao massacre de Srebrenica e anunciou ao Tribunal Internacional para a antiga Iugoslávia (TPII) que pedirá exames de DNA de parte dos 8 mil cadáveres encontrados, para provar sua tese.

EFE |

Durante uma audiência preparatória para seu julgamento, Karadzic se mostrou convencido de que a apuração das vítimas desse massacre ocorrida em 1995 é "errônea".

Com esta postura, deixou transparecer a que possivelmente será uma das linhas básicas de sua defesa: colocar em dúvida que cerca de 8 mil muçulmanos homens tenham morrido em uma ofensiva servo-bósnia em Srebrenica.

Karadzic quer que a promotoria dê amostras de DNA usadas por seus especialistas para que sua equipe de defesa possa fazer sua própria apuração de vítimas.

"Estamos convencidos de que há um exagero" nessa apuração, disse Karadzic, durante a audiência, acrescentando que "queremos mostrar a verdade".

A teoria de Karadzic, segundo explicou hoje na sala do tribunal, é que muitas das vítimas que foram contabilizadas como vítimas em Srebrenica podem ter morrido "em combate ou na floresta", segundo as próprias palavras do acusado.

Em julho de 1995, cerca de 8 mil muçulmanos homens foram assassinados durante a ofensiva servo-bósnia na cidade bósnia de Srebrenica, no que se considera um dos maiores massacres depois da Segunda Guerra Mundial.

Tribunais como o próprio TPII ou a Corte Internacional de Justiça (CIJ) estabeleceram em sentenças anteriores que aconteceu um genocídio em Srebrenica.

Contra essa postura, Karadzic disse hoje que "não temos nada claro, tudo tem que ser estabelecido (...) e isso é importante para a Sérvia, para a comunidade muçulmana e para a Europa".

O acusado de crimes de guerra sugeriu que "existe a possibilidade de que um DNA tenha sido atribuído a três pessoas diferentes", por isso sustentou que, para mostrar o contrário, querem "seguir os mesmos passos dos especialistas da promotoria" para chegar a suas conclusões.

Para começar, o ex-líder servo-bósnio quer pedir 300 amostras de DNA de vítimas de Srebrenica.

Não descartou pedir "todo o material, se for necessário para esclarecer a verdade".

Diante desta atitude de Karadzic, os promotores ficaram surpresos com que seu principal acusado afirme "que os cadáveres (de homens muçulmanos) encontrados em valas comuns não são vítimas de Srebrenica".

Os juízes afirmaram que Karadzic e sua equipe de defesa têm direito de questionar qualquer afirmação da promotoria, "para que haja um julgamento justo".

Por isso, pediram às partes que realizem uma primeira reunião para investigar as possibilidades do acusado de obter esse material e poder, assim, elaborar sua defesa adequadamente.

Além disso, os magistrados também pediram à promotoria que revise a acusação contra o ex-líder servo-bósnio, para que possam acelerar o processamento.

Como exemplo, pediram que se estude reduzir o número de testemunhas e chamar somente aquelas que foram estritamente necessárias.

Perguntado por sua opinião a respeito da simplificação da acusação, Karadzic ironizou e disse que "o melhor seria que fosse retirada".

Quase um ano depois da detenção de Karadzic, o TPII ainda não conseguiu fixar a data de início do julgamento, cuja fase preparatória está demorando mais do que o previsto.

Karadzic enfrenta 11 acusações de crimes de guerra e lesa-humanidade - entre eles dois de genocídio -, que teriam sido cometidos dentro da Guerra da Bósnia (1992-1995). EFE mr/an

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