Karadzic alega acordo com EUA para se livrar de acusações

Haia, 25 mai (EFE).- O ex-líder servo-bósnio Radovan Karadzic solicitou hoje ao Tribunal Penal Internacional para a Antiga Iugoslávia (TPII) a retirada das acusações contra si, se baseando em um suposto pacto de imunidade estipulado em 1996 com os Estados Unidos.

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O assessor legal de Karadzic, Peter Robinson, declarou em coletiva de imprensa que "Karadzic apresentou esta manhã uma moção para que sejam retiradas as acusações, baseado no pacto que acordou com Richard Holbrooke (diplomata americano), segundo o qual não seria julgado no TPII".

Holbrooke, atual representante especial dos EUA para Afeganistão e Paquistão, foi mediador americano nos conflitos da antiga Iugoslávia em meados da década passada e um dos artífices dos acordos de Dayton de 1995, que puseram fim à guerra da Bósnia (1992-95).

Robinson, que frisou que o último objetivo de Karadzic é "evitar o julgamento", especificou que nesse acordo, que "foi pactuado entre 18 e 19 de julho de 1996 em Belgrado", era prometido ao ex-líder dos sérvios na Bósnia que não seria julgado em Haia caso renunciasse a cargos públicos.

A moção, de 139 páginas, recolhe documentos que Karadzic assinou nessa data, mas que não foram ratificados por nenhum representante do Governo americana por "razões políticas", como explicou Robinson.

"Não temos provas apenas do próprio Karadzic, mas também de testemunhas (...) e de outras pessoas a quem ele comunicou o acordo, incluindo membros da família" e jornalistas.

Robinson informou que a Promotoria tem 14 dias para responder à moção de Karadzic, que, por sua vez, contará com outros sete para replicá-la. Após isso, os juízes tomarão uma decisão a respeito.

Pesam sobre Karadzic 11 acusações ligadas a crimes de guerra, entre elas genocídio e crimes lesa-humanidade que teriam sido cometidos durante a guerra da Bósnia. EFE mr/rr

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