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Karadzi irá realizar a própria defesa , diz advogado

O ex-líder sérvio da Bósnia Radovan Karadzic, preso na segunda-feira acusado de crimes de guerra e genocídio, planeja realizar a sua própria defesa em seu julgamento no Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia, em Haia, na Holanda, segundo seu advogado. Karadzic terá uma equipe legal na Sérvia que irá ajudá-lo, mas ele mesmo realizará sua defesa, disse o advogado Sveta Vujacic.

BBC Brasil |

Se isso realmente acontecer, Karadzic estará seguindo o exemplo do ex-presidente iugoslavo Slobodan Milosevic, que também realizou a própria defesa durante seu julgamento no Tribunal de Haia.

A transferência de Karadzic para o Tribunal de Haia foi determinada por um juiz sérvio na terça-feira.

O advogado disse que Karadzic irá apelar da decisão de extraditá-lo para o Tribunal de Haia, mas apenas pouco antes do final do prazo para fazer isso, na sexta-feira.

Extradição
Karadzic foi indiciado pelo Tribunal de Haia por genocídio e crimes de guerra durante o conflito na Bósnia nos anos 90.

O tribunal da ONU diz que Karadzic matou cerca de 8 mil homens e meninos muçulmanos em Srebenica em julho de 1995, bombardeou Sarajevo e usou 284 forças de paz da ONU como escudos humanos em maio e junho de 1995.

De acordo com as leis sérvias de cooperação com o Tribunal de Haia, três etapas devem ser cumpridas antes que Karadzic seja enviado para Haia. Todas as condições para extradição devem ser preenchidas, Karadzic deve receber o direito de apelar da decisão e um comitê especial de crimes de guerra deve avaliar o apelo. Todo o processo pode levar de três a nove dias.

Karadzic nega as acusações contra ele e se recusa a reconhecer a legitimidade do tribunal da ONU.

'Explorador espiritual'
Karadzic foi preso em um ônibus em um subúrbio da capital Belgrado depois de mais de uma década foragido.

Novos detalhes vieram à tona sobre a vida de Karadzic como praticante de medicina alternativa sob o nome falso de Dragan Dabic.

Disfarçado como um especialista em energia quântica humana, o fugitivo estava tão confiante de seu disfarce que tinha até mesmo seu próprio site e dava cartões pessoas durante as palestras de medicina alternativa que fazia.

O cartão trazia o nome D D David, e D D aparentemente se referia ao nome falso Dragan Dabic.

Conhecido como Dabic, Explorador Espiritual, Karadzic dava palestras comparando meditação e técnicas de silêncio praticadas por monges ortodoxos. Ele falou sobre isso em Belgrado em maio e também na cidade de Smederevo, ao leste da capital.

Pressão
Depois da prisão de Karadzic, os Estados Unidos estão pressionando a Sérvia para capturar o comandante militar de Karadzic na época do conflito na Bósnia nos anos 90, o general Ratko Mladic.

O representante dos Estados Unidos na ONU, Zalmay Khalilzad, disse que o governo americano ficou satisfeito com a prisão de Karadzic e espera que Mladic tenha também o mesmo destino logo.

A França disse que a União Européia também espera novas prisões.

O correspondente da BBC em Belgrado Nick Thorpe disse que a cidade está cheia de especulação de que os dois últimos homens na lista no tribunal de Haia podem ser os próximos a serem presos.

Um deles é o general Ratko Mladic e o outro, Goran Hadzic, um ex-político sérvio acusado de "limpeza étnica" na Croácia.

Segundo o escritório do promotor de crimes de guerra da Sérvia, o serviço de inteligência do país estava seguindo pistas para encontrar Mladic quando acabaram se deparando com Karadzic.

Mas o correspondente da BBC diz que Mladic tem fortes ligações com o Exército sérvio e pode apresentar mais resistência do que Karadzic.

Vladimir Petrovic, da embaixada sérvia em Washington, disse à BBC que a prisão de Karadzic mostra que a Sérvia está "totalmente comprometida com o direito internacional e suas obrigações internacionais."
"A Sérvia também está totalmente comprometida em se juntar à União Européia, e eu acho que isso é um exemplo de um Estado europeu moderno", acrescentou.

O ministro do Exterior sérvio, Vuk Jeremic, também disse que a captura de Karadzic mostra que seu país está comprometido com a entrada à União Européia, já que a prisão dele e de outros acusados de crimes de guerra é uma das principais condições para a entrada do país ao bloco.

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