Kandahar tem novos protestos contra a queima do Corão

Autoridades qualificam a manifestação de "pacífica". Ontem, pelo menos nove pessoas morreram na cidade por disparos da polícia

iG São Paulo |

Pelo menos três pessoas morreram e dezenas ficaram feridas no terceiro dia de protestos no Afeganistão contra a queima do livro sagrado Corão promovida em uma igreja nos Estados Unidos, que já registraram 20 mortos desde sexta-feira passada. 

"A Polícia afegã já foi desdobrada na zona e está controlando à multidão", disse à agência Efe o porta-voz do Governo regional de Kandahar, Zalmai Ayobi.

Segundo Ayobi, que qualificou o protesto como "pacífico", por enquanto ficaram feridos um policial e dois civis.

Ontem, pelo menos nove manifestantes morreram por disparos da polícia na cidadeem protestos contra a queima pública de um exemplar do Corão o passado 20 de março em uma igreja da Flórida (EUA).

As autoridades afirmaram que os protestos se tornaram violentos devido à participação de insurgentes, embora o movimento talibã tenha negado participação.

Kandahar, bastião dos talibãs, é uma de suas áreas de influência tradicionais e foi palco no passado de vários ataques e atentados contra as tropas internacionais.

Os distúrbios, no entanto, começaram em várias cidades do Afeganistão na sexta-feira, e cobraram uma dimensão especialmente grave na cidade nortista de Mazar-e-Sharif , onde uma multidão assaltou a sede local da ONU e acabou com as vidas de sete trabalhadores.

Mais protestos

Em dois outros distritos da província de Kandahar também foram registrados protestos menores, além de manifestações na província de Parwan, ao norte da capital afegã, Kabul.

Na cidade de Jalalabad, mais ao leste, centenas de manifestantes fizeram um protesto pacífico, fechando uma das principais vias de acesso durante quase três horas neste domingo. A multidão exigia a saída das tropas americanas do país e chegou a queimar uma efígie do presidente Obama, segundo um fotógrafo da agência de notícias Associated Press que estava no local.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, condenou a violência em Mazar-e Sharif, classificando-a de "ultrajante e covarde". Além do secretário, o presidente afegão, Hamid Karzai, disse que o ataque foi "desumano" e feriu valores islâmicos e afegãos.

Ao todo, morreram 14 pessoas na sexta-feira. A polícia local disse à BBC que 27 pessoas foram presas em Mazar-e Sharif.

*Com informações da EFE e BBC

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