Kadhafi e Ahmadinejad provocam protestos diante das Nações Unidas

Centenas de manifestantes da organização Nation of Islam se reuniram nesta quarta-feira diante da sede da ONU em Nova York para apoiar o dirigente líbio Muammar Kadhafi, momentos antes de um protesto de outras centenas de pessoas contra a presença na cidade do presidente do Irã, Mahmud Ahmadinejad.

AFP |

Tanto Kadhafi, presidente em exercício da União Africana (UA), quanto Ahmadinejad tinha discursos previstos para esta quarta-feira na Assembleia Geral das Nações Unidas.

Kadhafi, que fez pela manhã seu primeiro discurso na assembleia da ONU em 40 anos de poder, criticou duramente o Conselho de Segurança.

Num palanque instalado na praça Dag Hammarksjold, diante da sede das Nações Unidas, onde costumam ser organizados os protestos, mulheres e crianças dançaram ao som dos tambores diante de um telão no qual podia-se ler: "A América recebe Kadhafi, líder da revolução líbia". O discurso de Kadhafi foi transmitido ao vivo pelo telão.

Cerca de 300 pessoas ergueram cartazes verdes com os dizeres: "Longa vida ao rei da África", e "Primeira visita de Kadhafi aos EUA: eu estava aqui". Presente na manifestação, o líder do Nation of Islam, Louis Farrakhan, foi longamente aclamado.

"Gosto de Kadhafi, ele é africano e eu sou afro-americano", disse Franck 45 anos, que veio especialmente de Connecticut (nordeste dos EUA).

"Sempre apoiei a revolução líbia", afirmou Aminifu, um nova-iorquino de 70 anos, ostentando dezenas de pulseiras e colares africanos coloridos. "Kadhafi ajudou os povos oprimidos na África. As pessoas que são contra ele são intoxicadas pela propaganda do governo", acrescentou.

"Na América, muitas pessoas odeiam o Islã", sentenciou uma mulher, que não quis se identificar.

A manifestação contra Ahmadinejad começou às 12H30 de Brasília. Centenas de pessoas, entre elas vários jovens de origem iraniana nascidos no exílio após a revolução islâmica de 1979, agitaram bandeiras da época imperial e fotos de Neda, a jovem morta durante o movimento de contestação que seguiu a polêmica eleição presidencial de 12 de junho no Irã.

"Não à ditadura, democracia para o Irã", podia-se ler em diversas faixas. "O espírito das trevas está discursando nas Nações Unidas, quando deveria ser preso por terrorismo. Isso é uma vergonha", clamou um orador, arrancando os aplausos da multidão.

Perto dali, na mesma praça, um grupo reduzido de 50 pessoas protestavam contra a visita do líder líbio, que qualificaram de "assassino".

A recente libertação pela Escócia de Abdelbaset al-Megrahi, o líbio condenado pelo atentado de Lockerbie, provocou uma onda de indignação nos Estados Unidos, país de origem da maioria das 270 vítimas da explosão do avião da Pan Am em pleno voo, em 1988.

Trípoli teve, inclusive, dificuldades para encontrar um lugar para armar a tenda de beduíno onde Kadhafi costuma se instalar quando viaja para o exterior.

As autoridades negaram sucessivamente Central Park e um terreno de Englewood, Nova Jersey (oeste de Nova York, onde a Líbia tem uma propriedade).

De acordo com a edição desta quarta-feira do tablóide New York Post, uma barraca semelhante às de Kadhafi foi montada em uma residência do bilionário Donald Trump no condado de Westchester, ao norte de Nova York. No entanto, segundo o jornal, um inspetor do trabalho foi ao local na noite de terça-feira e ordenou a retirada da instalação.

mes/yw

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