O líder líbio, Muamar Kadhafi, deu por encerrado o conflito com o Ocidente ao celebrar 39 anos da revolução que o levou ao poder, prometendo ainda a distribuição direta à população dos lucros do petróleo, entre outras mudanças.

"Os líbios devem estar preparados para receber, cada um deles, a parte que lhes corresponde dos lucros do petróleo a partir do início do próximo ano", disse o coronel Kadhafi em um discurso em Benghazi (1.000 km ao leste de Trípoli), para o Congresso Popular, o equivalente ao Parlamento na Líbia.

No discurso, Kadhafi também anunciou o fim de algumas instituições da administração líbia, com exceção dos ministérios das Relações Exteriores, Defesa, Segurança e Justiça.

"Sempre se acusa os comitês populares (ministérios) de corrupção e má gestão. Não acabaremos nunca com estas queixas. Portanto, que cada um tenha em sua carteira sua parte (dos lucros do petróleo)", acrescentou.

"A solução é terminar com a administração que gasta dinheiro e dar diretamente este dinheiro às pessoas", afirmou, admitindo que o "caos" vai imperar durante os dois primeiros anos.

Também disse que aos poucos a sociedade vai se organizar para gerir os próprios assuntos e que os líbios adotarão uma autêntica administração popular e uma democracia directa.

O chefe del Governo italiano Silvio Berlusconi assistiu às festividades ao lado de Kadhafi, depois de ter assinado no sábado um "acordo de amizade e cooperação" que prevê indenizações de cinco bilhões de dólares em compensação pelo período colonial.

Esta semana, o líder líbio receberá também a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice.

No domingo à noite, Kadhafi afirmou que o conflito entre Líbia e Estados Unidos está "definitivamente arquivado" e que "de agora em diante não haverá guerras, ataques ou terrorismo entre os dois países".

No entanto, destacou que seu país não tenta estabelecer uma amizade com os Estados Unidos.

"Tudo o que queremos é que nos deixem tranqüilos", destacou.

ila/fp

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