NOVA YORK - Os nova-iorquinos receberam com diversas manifestações os líderes da Líbia, Muammar Kadafi, e do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, que participam nesta quarta-feira dos debates da Assembleia Geral da ONU.

A primeira viagem de Kadafi aos Estados Unidos é objeto de polêmica em Nova York e no resto do país, que ofereceu ao líbio uma fria recepção, cujo máximo expoente foi que nenhum hotel da cidade quis hospedá-lo e que as autoridades tenham impedido que ficasse em sua famosa khaima (tenda beduína).


Muammar Kadafi discursa na ONU / AP

Após tentar ficar na propriedade que o governo líbio tem em Nova Jersey e querer colocar sua peculiar tenda no Central Park, Kadafi também não conseguiu dormir em uma propriedade que a firma Trump tem na localidade de Bedford, próxima à cidade de Nova York, e onde já tinha posicionado sua khaima.

As autoridades desse município paralisaram a instalação da tenda, em uma nova demontração de que o líbio é persona non grata nos Estados Unidos, um país que durante décadas o considerou aliado do terrorismo e que agora, com melhores relações, continua olhando o líder líbio com muito receio.

A visita de Kadafi ocorre depois que seu país iniciou, em 15 de setembro, na presidência rotativa da Assembleia Geral da ONU, onde hoje discursa, e despertou a polêmica nos Estados Unidos por acontecer semanas depois da libertação do terrorista líbio Abdelbaset Ali Mohammed al-Megrahi.

Megrahi foi condenado pelo atentado contra um avião que explodiu em Lockerbie (Escócia) em 1988, no qual morreram 270 pessoas, na maioria americanos, e sua libertação gerou a revolta de muitos dos familiares das vítimas.

Ahmadinejad e Chávez

Essa medida centrará hoje os protestos contra Kadafi e que também voltarão sua atenção contra do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, assim como contra o líder venezuelano, Hugo Chávez, que já está nas Nações Unidas, onde falará amanhã.

Os três líderes formam o "show do horror" que, segundo o jornal "The New York Post", oferece estes dias o canal de televisão das Nações Unidas e que permitirá que os americanos vejam "um ditador, um déspota e um pistoleiro", em referência a Kadafi, Ahmadinejad e Chávez, respectivamente.

Ahmadinejad, contra quem há planejados protestos da comunidade iraniana, que acha que ele ocupa o posto de presidente de maneira ilegal, também sofreu os mesmos problemas com os hotéis nova-iorquinos.

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