Kadafi completa 40 anos no poder pondo fim a isolamento internacional

Trípoli, 17 dez (EFE).- Em 2009, Muammar Kadafi pôs fim definitivamente ao isolamento internacional de seu regime com várias viagens há pouco tempo impensáveis à Europa, Estados Unidos e América Latina, justo no ano em que celebrou quatro décadas no poder e foi eleito presidente da União Africana (UA).

EFE |

O líder líbio propôs além disso a seu filho Saif al-Islam, artífice da maioria das reformas dos últimos anos, para o segundo posto em importância do país, quase equivalente ao de chefe do Governo, confirmando-lhe como seu mais que provável sucessor.

Kadafi explicou que deixará para seu filho a gestão dos assuntos nacionais, enquanto ele se ocupará de "solucionar os problemas da África".

O ano começou com a visita à Líbia do rei Juan Carlos da Espanha, a primeira de um chefe de Estado espanhol desde a independência do país norte-africano, que abriu um novo capítulo de relações mais intensas em "todos os campos" e a via da cooperação econômica.

Foi só o começo do ano do líder líbio, que pouco depois foi eleito presidente rotativo da UA, o que lhe permitiu organizar diferentes cúpulas em Trípoli, com convidados como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governante venezuelano, Hugo Chávez.

Em junho, realizou sua primeira viagem à Itália, país do qual a Líbia foi colônia, depois de o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, pedir desculpas "pelos danos ocasionados durante o período colonial", e se comprometer a financiar projetos milionários em infraestruturas e outros setores.

Como na maioria de suas viagens, sua visita a Roma não foi isenta de polêmica, depois de se apresentar na capital italiana luzindo no peito a fotografia de um herói da resistência contra a colônia.

Berlusconi ainda viajou a Trípoli para o aniversário de 40 anos de Kadafi no poder, em 1º de setembro, uma cerimônia que também contou com a presença do ministro de Exteriores espanhol, Miguel Ángel Moratinos, e do presidente sérvio, Boris Tadic, além de Chávez e vários líderes africanos.

Nas vésperas do aniversário, Kadafi conseguiu que a Escócia devolvesse à Líbia o único condenado pelo atentado de Lockerbie, o líbio Abdelbaset Ali Mohammed al-Megrahi, libertado por razões humanitárias por ter câncer de próstata.

Megrahi foi recebido com todas as honras em sua chegada a Trípoli. Ele tinha sido condenado pelo ataque que matou 270 pessoas em 1988 contra um avião da Pan Am que sobrevoava a cidade escocesa de Lockerbie.

Kadafi viajou também pela primeira vez a Nova York para participar da Assembleia Geral da ONU, onde criticou o "poder antidemocrático" do Conselho de Segurança.

Em sua passagem pela Venezuela, reuniu uma multidão ao lado de Chávez e reafirmou sua vontade de fazer no Hemisfério Sul "uma nova frente" com América Latina, África e Ásia.

Sobre as reformas internas no país, o Parlamento líbio acabou este ano com sete ministérios para combater a corrupção, mas Kadafi não conseguiu tocar para frente seu projeto de distribuir a renda do petróleo diretamente entre a população.

A detenção de outro de seus filhos, Aníbal Kadafi, em Genebra, acusado de agredir seus empregados domésticos, provocou uma profunda crise com a Suíça que ainda perdura.

A Líbia cortou seu fornecimento de petróleo à Suíça, retirou diversos fundos de suas contas e reteve durante um ano e meio dois empresários suíços que acabaram condenados a 16 meses de prisão.

O ano foi marcado também pelo naufrágio em frente à costa do país de um barco que transportava 257 emigrantes ilegais à Itália.

A tragédia evidenciou o drama dos milhares de subsaarianos que tentam há alguns anos cruzar a rota europeia através da Líbia, devido ao reforço dos controles em outras áreas do Mediterrâneo. EFE fa-jg/mh

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