Kadafi compara EUA com Bin Laden em discurso na Itália

Roma, 11 jun (EFE).- O líder líbio, Muammar Kadafi, comparou hoje o bombardeio dos Estados Unidos sobre a Líbia em 1986 com as ações terroristas de Osama bin Laden, durante um discurso no Senado italiano em seu segundo dia de visita oficial ao país, no qual o chefe de Estado abordou assuntos atuais do cenário internacional.

EFE |

Se ontem Kadafi fez referência ao período de domínio italiano na Líbia (1912-1943), portando inclusive em sua casaca militar uma foto em preto-e-branco de um herói da resistência anticolonialista, hoje o líder líbio tratou de temas como a atual situação do Afeganistão, do Iraque e da Coreia do Norte.

"Que diferença existe entre o ataque dos americanos em 1986 contra nossas casas e as ações terroristas de Osama bin Laden?", perguntou Kadafi durante seu discurso de mais de uma hora no Senado italiano.

A diferença é que "Bin Laden não tem um Estado e está fora da lei, e os EUA são um Estado com regras internacionais", apontou o líder líbio, que pouco depois se dirigiu à Universidade de La Sapienza, em Roma, em meio a fortes medidas de segurança diante dos protestos de um numeroso grupo de estudantes.

Depois de os líderes de grupos políticos do Senado italiano terem rejeitado ontem que discursasse no plenário da câmara alta, Kadafi pronunciou hoje seu discurso em um edifício anexo à sede principal.

Nele, Kadafi defendeu que todos os países sejam tratados da mesma forma.

"Que mal há se a Coreia do Norte quer ser comunista? Ou se o Afeganistão estiver nas mãos de um mulá? O Vaticano não é um respeitável Estado teocrático com representação no mundo todo?", prosseguiu o líder líbio.

"Foi uma boa ideia derrubar o regime iraquiano, abrindo as portas para a Al Qaeda?", apontou Kadafi, afirmando que, "graças aos EUA", o Iraque é hoje um "campo de batalha" para a organização terrorista.

O coronel líbio defendeu sua escolha de renunciar às armas nucleares e químicas em dezembro de 2003 e assegurou que se Irã ou Coreia do Norte não o fizeram foi porque nada lhes foi oferecido em troca.

"Se alguém quer a paz, é preciso deixar de lado a arrogância. A Terra foi criada por Deus para toda a Humanidade, não para uma única potência hegemônica", comentou. EFE mcs/bba

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