Kadafi aceita convite de Berlusconi para visitar Itália

Trípoli, 3 mar (EFE).- O líder líbio, Muammar Kadafi, aceitou o convite do primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, para realizar sua primeira visita à Itália, antiga potência colonial da Líbia, informa hoje a imprensa local.

EFE |

"Durante 40 anos, tivemos nossas reservas sobre a possibilidade de visitar a Itália. Mas agora, após o espírito de inimizade se transformar em outro de amizade e cooperação em um momento histórico, aceito com muita alegria o convite do meu amigo Berlusconi", disse o líder líbio.

Berlusconi, que na segunda-feira visitou Kadafi em sua residência na cidade líbia de Sirte, o convidou, em sua qualidade de presidente em exercício da União Africana (UA), a participar da cúpula do Grupo dos Oito (G8, os sete países mais Industrializados e a Rússia) e, deste modo, realizar sua primeira visita ao país que dominou a Líbia entre 1911 e 1943.

O primeiro-ministro da Itália também discursou no Congresso Geral do Povo (Parlamento líbio), um sinal da importância que seu Governo concede às relações com o país norte-africano e ao novo acordo de cooperação alcançado no final de agosto e ratificado na segunda-feira pelo Parlamento local.

Em seu discurso, Berlusconi se desculpou pelo passado colonial, e pediu aos líbios para deixar a colonização para trás nas renovadas relações entre os dois países.

Já Kadafi defendeu um tratamento preferencial às empresas italianas no mercado líbio.

Além disso, se manifestou favorável a permitir que os italianos residentes no país antes de 1970, quando foram expulsos, retornem como turistas e para trabalhar nas companhias italianas que operam na Líbia.

"Aceitamos as desculpas da Itália, que indenizará o povo líbio com US$ 250 milhões anualmente ao longo de 25 anos, além de devolver todas as antiguidades que foram saqueadas durante a época colonial", disse o líder líbio, que destacou que as relações entre os dois países se transformaram em "legais e legítimas após ser aprovadas pelos dois povos".

Em um gesto muito incomum, Kadafi foi ao aeroporto para se despedir de Berlusconi, gesto que o líder líbio não faz há décadas.

A Itália é o principal parceiro europeu da Líbia, e o Governo de Roma está interessado em obter a ajuda de Trípoli para conter o fluxo de emigrantes ilegais, principalmente subsaarianos, que tentam alcançar a ilha italiana de Lampedusa através da costa líbia. EFE fa-jg/mh

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