Justiça vai decidir o destino do partido no poder na Turquia

A Corte Constitucional turca se reúne nesta segunda-feira para deliberar sobre uma possível proibição do partido no poder, acusado de minar os princípios do laicismo, o que poderá afundar o país numa crise política e forçar a convocação de eleições antecipadas.

AFP |

A reunião de máxima importância dos magistrados coincide em um momento de grande tensão na Turquia, principalmente depois do duplo atentado que atingiu Istambul neste domingo com um balanço de 17 mortos.

É a primeira vez na Turquia que se abre um processo contra um partido no poder. O Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP, islamita moderado) é acusado de "actividades contrárias ao laicismo" e pode ser declarado ilegal. A Corte pode aceitar ou recusar o recurso, ou escolher uma via intermediária.

Em 1998 e 2001 a Corte Constitucional proibiu, respectivamente, os partidos islamitas da Prosperidade e da Virtud, dos quais procede o AKP, pelas mesmas acusações.

O AKP, no poder desde 2002, criou inimizades nos círculos pró-laicos, encabeçados pela justiça e exército, ao autorizar o véu islâmico nas universidade.

A questão é muito sensível em um país majoritariamente muçulmano, mas organizado com base num rígido laicismo desde que Mustafá Kemal Atatürk fundou o EStado turco em 1923.

O duplo atentado de domingo acontece também quando um tribunal de Istambul decidiu julgar a rede nacionalista Ergenekon, acusada de ter semeado o caos e a violência no país para preparar o terreno para um golpe de Estado militar contra o governo surgido do movimento islamita.

O caso também apaixona a Turquia porque, entre os 86 acusados, figuram, ao lado de mafiosos notórios personalidade de primeiro plano no campo laico - generais, jornalistas -, adversário radical do atual governo, ao qual acusam de pretender islamizar a Turquia.

O duplo atentado foi registrado na noite de domingo em uma avenida comercial do bairro de Gungoren, no lado europeu de Istambul.

Uma primeira bomba de pouca potência explodiu numa cabine telefônica numa avenida do bairro periférico de Gungoren, na margem européia da metrópole turca.

A segunda, de grande potência e escondida numa lata de lixo, aconteceu minutos depois, quando as pessoas começavam a se aproximar do lugar da primeira explosão.

As imagens da NTV mostraram cenas de pânico entre os habitantes, muitos feridos e desorientados andando pela rua.

Nesta segunda, o governo turco privilegiava a pista dos rebeldes curdos como autores do duplo atentado de Istambul.

Vários atentados cometidos em Istambul foram atribuidos no passado ao PKK, que luta desde 1984 pela independência do sudeste da Turquia, habitado em sua maioria por curdos.

O governador indicou que a polícia vai examinar as imagens gravadas pelas câmeras de vigilância das imediações no ugar dos atentados.

Grupos armados islamitas e de extrema-esquerda também estão ativos em Istambul.

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