Istambul, 28 jul (EFE).- O Tribunal Constitucional da Turquia começou hoje a deliberar sobre o processo de ilegalização do Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP) ao qual pertence o primeiro-ministro, Recep Tayyip Erdogan, por atividades contra o laicismo.

A resolução judicial, que poderia se restringir a sanções econômicas, pode ser conhecida a qualquer momento, embora os analistas turcos acreditem que o momento mais provável para isso seja nas duas primeiras semanas de agosto.

Os magistrados dedicarão todo seu tempo a este processo e examinarão sem interrupção os argumentos das partes, embora isso signifique limitar as férias judiciais, que começam em 1º de agosto, explicou o vice-presidente da corte, Osman Paksüt, a imprensa turca.

Em 14 de março, o Procurador-geral do Estado, Abdurrahman Yalçinkaya, solicitou ao Tribunal Constitucional a ilegalização do AKP, sob a acusação de que este teria se transformado "em um centro de atividades antilaicas".

Além disso, solicitou a inabilitação política por um período de cinco anos de 70 dirigentes do AKP, incluído Erdogan, e do presidente da República, Abdullah Gül, por seus comentários públicos que, supostamente, seriam uma ameaça aberta ao estrito sistema laico da Turquia.

Entre os argumentos da Promotoria estão as declarações de membros do AKP defendendo o uso do véu como uma escolha individual e a modificação constitucional que permitiu por um curto período de tempo o uso deste acessório nas universidades, até a anulação por parte do Tribunal Constitucional do país.

A União Européia (UE), por meio do presidente da Comissão do bloco, José Manuel Durão Barroso, e do comissário de Ampliação, Olli Rehn, ameaçou em várias ocasiões cancelar as negociações de adesão da Turquia caso o AKP fosse ilegalizado.

No entanto, o porta-voz da Comissão Européia, Amadeu Altafaj, se mostrou hoje mais comedido e explicou que a UE esperará a decisão judicial antes de agir. EFE Amu/rb/rr

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