Os investigadores que atuam no caso do ex-líder sérvio da Bósnia Radovan Karadzic, capturado na segunda-feira, afirmam que irão encontrar e punir todos aqueles que o ajudaram durante os quase 13 anos em que esteve foragido. Karadzic, de 63 anos, é acusado de liderar o massacre de milhares de muçulmanos bósnios e de croatas durante a Guerra da Bósnia (1992-1995) e foi indiciado duas vezes pelo Tribunal Criminal Internacional para a Ex-Iugoslávia, que funciona em Haia, na Holanda.

Logo após a prisão de Karadzic, o governo sérvio revelou que, no período em que esteve foragido, ele viveu disfarçado na capital da Sérvia, Belgrado, usando uma longa barba branca, o nome falso de Dragan Dabic e trabalhando em uma clínica particular de medicina alternativa.

Promotores sérvios que atuam no caso acreditam que Karadzic usou o nome falso porque recebeu documentos forjados durante o regime do presidente Slobodan Milosevic (que morreu em 2006, em Haia, antes da conclusão de seu julgamento).

"Amigos"
Segundo o porta-voz do promotor para crimes de guerra da Sérvia, Bruno Vekaric, está claro que Karadzic recebeu os documentos falsos de "amigos" no governo de Milosevic, que caiu em 2000.

Vekaric afirmou que a identidade falsa foi emitida em Ruma, uma cidade ao norte de Belgrado, possivelmente com a ajuda de Slobodan Medic, um comandante paramilitar que também já foi capturado.

O porta-voz disse que o governo está tentando determinar a verdadeira identidade de Dragan Dabic, mas como há várias pessoas com esse nome, não iria fazer especulações.

Há versões divergentes sobre a identidade de Dabic. Alguns afirmam que ele seria uma combatente sérvio assassinado. Outros, que seria um civil morto na capital da Bósnia durante a guerra.

"Ato criminoso"
Vekaric também disse que poucas pessoas sabiam que Karadzic estava usando o nome falso e todas elas terão de responder aos promotores.

"Quem quer que estivesse ajudando Karadzic estava cometendo um ato criminoso, e sabia disso", afirmou Vekaric.

O porta-voz disse esperar que essas pessoas forneçam informações que levem à captura dos dois criminosos de guerra ainda foragidos, entre eles o general Ratko Mladic, comandante militar sérvio bósnio.

Em entrevista ao jornal local Vecernje Novosti, o porta-voz disse que Karadzic "começou a viver sua vida paralela bem antes" de Mladic.

Desde que foi capturado, Karadzic já fez a barba e cortou o cabelo. Sua vida paralela ainda domina a imprensa sérvia.

Nesta quinta-feira, alguns jornais publicaram fotografias que disseram ser da namorada do ex-líder, uma mulher de cerca de 40 anos chamada Mila.

Extradição
O Tribunal Criminal Internacional para a antiga Iugoslávia, que funciona em Haia, na Holanda, está pressionando pela extradição de Karadzic.

O ex-líder sérvio já disse que pretende fazer sua própria defesa caso seja extraditado.

Seu advogado, Sveta Vujacic, afirmou que vai apelar do pedido de extradição, mas apenas pouco antes do fim do prazo, na sexta-feira. Vujacic disse também que o documento será entregue pelo correio, e não em mãos.

Segundo analistas, esta seria uma tática para atrasar o processo, mas a extradição de Karadzic é praticamente inevitável.

Acredita-se que Karadzic vá tentar atrasar o máximo possível os procedimentos judiciais, possivelmente até 2010, quando termina o mandato do tribunal.

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