Lima, 20 jul (EFE).- O ex-presidente peruano Alberto Fujimori foi condenado hoje a sete anos e meio de prisão por ter pagado US$ 15 milhões a seu antigo assessor e homem de confiança Vladimiro Montesinos, na terceira condenação que recebe desde sua extradição, em 2007.

Novamente, a Justiça peruana impôs ao ex-líder uma das penas mais altas possíveis. A Promotoria havia pedido oito anos de prisão pelo caso de corrupção no Peru, onde as penas não são cumulativas.

Por isso, o ex-presidente ficará preso além de 11 de agosto de 2014, data em que vence essa última sentença, pois já cumpre duas penas anteriores.

Uma é de 25 anos por crimes contra a humanidade por dois massacres e dois sequestros - ainda precisa ser confirmada em apelação - e outra de seis anos.

No julgamento de hoje, o ex-presidente peruano (1990-2000) também foi sentenciado - pelos crimes de peculato doloso e falsidade ideológica - a dois anos e dez meses de inabilitação para exercer um cargo público e a pagar 3 milhões de sóis (US$ 1 milhão) em reparação ao Estado peruano.

Antes da leitura do veredicto, o juiz do tribunal que julga Fujimori, César San Martín, ressaltou que "não é uma sentença política, mas jurídica". Segundo ele, "a sentença deriva dos fatos julgados e não há espaço para interesses diferentes que não sejam os que venham do império da lei".

Em resposta, o advogado de Fujimori, César Nakazaki, disse ao término do processo que tinha se tratado de um "julgamento político", para que seu cliente "morra na prisão".

Nakazaki baseou sua estratégia de defesa no argumento de que Fujimori restituiu os US$ 15 milhões pouco tempo depois de subtraí-lo, o que foi considerado um sarcasmo pela Promotoria.

O processo começou em 13 de julho e se resolveu em pouco mais de uma semana, pois o ex-presidente aceitou os fatos julgados, mais não a responsabilidade penal do pagamento dos US$ 15 milhões.

No entanto, em sua alegação final, Fujimori assegurou, na sexta-feira passada, que o pagamento respondia à necessidade de salvar o país de um eventual golpe de Estado de seu assessor, que havia entendido que seus serviços não eram mais necessários.

Em sua defesa, o ex-chefe de Estado também assinalou que foram seus então ministro da Economia, Carlos Boloña, e primeiro-ministro, Federico Salas, que lhe explicaram que "a única alternativa para evitar um mal maior ao país era aceitar a condição do ex-assessor, que literalmente vendia sua saída".

Após a leitura do veredicto do caso dos US$ 15 milhões, o promotor Avelino Guillén destacou a "solidez da sentença", emitida em base ao reconhecimento inicial do "conjunto dos fatos" por Fujimori, e a solicitação do tribunal para que se investigue de onde saíram os fundos para reintegrar ao Estado o dinheiro entregue a Montesinos.

Em declarações a jornalistas, Guillén afirmou que Fujimori tentou fazer um "discurso eleitoral" no depoimento final e "falou de fatos novos desvinculados com a aceitação inicial".

Entre eles, citou que "o dinheiro tinha sido encontrado no Serviço de Inteligência Nacional, o que a Justiça não aceitou e considerou um fato inaudito".

Assim que a sentença foi divulgada, Fujimori, de 70 anos, anunciou que tentará um recurso de nulidade.

O ex-presidente ainda tem outro julgamento pendente que reúne três casos diferentes: espionagem telefônica a políticos, empresários, jornalistas e funcionários; compra de um canal de notícias com fundos públicos, e os pagamentos a congressistas que apoiaram sua reeleição em 2000. EFE watt/rr

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