Justiça paraguaia mantém processo contra filho de ex-ditador Stroessner

Assunção, 7 ago (EFE).- O presidente da Suprema Corte do Paraguai, Raúl Torres, esclareceu hoje que o processo por corrupção contra o filho mais velho do ex-ditador paraguaio Alfredo Stroessner, Gustavo Stroessner Mora, continua e que a decisão judicial foi mal interpretada.

EFE |

"O processo continua intacto. Um magistrado de um escalão mais baixo ficará encarregado de diligências e investigações posteriores", explicou Torres a jornalistas, depois que fontes judiciais, citadas pela imprensa local, anunciassem a anulação de todo o processo.

Ex-coronel da Força Aérea paraguaia, Stroessner Mora é processado por "desvio de fundos e corrupção" em uma causa aberta em 1989, quando acompanhou seu pai em seu exílio em Brasília, onde o ex-ditador morreu em 16 de agosto de 2006.

A Sala Constitucional da Suprema Corte paraguaia aceitou uma ação de inconstitucionalidade promovida pelo advogado de Stroessner, Hirán Delgado Von Lepel, e decidiu "devolver a causa a um juiz competente para que a mesma seja novamente julgada".

O ministro do Supremo esclareceu que todas as medidas cautelares ditadas contra Stroessner Mora, como um pedido de prisão preventiva, estão em vigor e afirmou que ele será detido caso volte ao Paraguai.

Com a decisão judicial, se supôs que Stroessner Mora poderia retornar livremente ao Paraguai, algo que tentou fazer em janeiro de 2006, quando pediu por meio de seu advogado uma diminuição sobre o valor de US$ 1 milhão fixado pelo juiz da causa, Gustavo Santander, como sua fiança.

Na mesma época, Stroessner Mora também pediu para ser eximido da prisão preventiva que pesava contra si para acompanhar sua mãe, Eligia Mora, que estava gravemente doente em um hospital de Assunção no qual faleceu pouco tempo depois aos 95 anos.

A sentença do tribunal sugere a revisão do processo, já que, além de alertar para erros, considera que o primogênito do ex-ditador "não poderia ter cometido os delitos pelos quais é acusado por não exercer a função de funcionário público".

No processo, Stroessner Mora foi declarado como "réu rebelde aos mandatos da lei". As autoridades paraguaias tentaram levar à frente um pedido de extradição que não prosperou.

A família Stroessner é considerada como uma das ricas do país, com uma fortuna calculada em US$ 900 milhões, segundo o livro "Dossier Paraguay/Los dueños de grandes fortunas" ("Dossiê Paraguai/Os donos de grandes fortunas"), publicado em 2000 pelo economista e investigador Aníbal Miranda. EFE lb/bba

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