Justiça mantém condenação de ex-premiê da Ucrânia

Corte rejeitou apelação e manteve sentença de sete anos por abuso de poder

Reuters |

Uma corte de apelações ucraniana manteve na sexta-feira a sentença de sete anos de prisão imposta à ex-primeira-ministra Yulia Tymoshenko em outubro por abuso de poder, em um caso que abalou a relação da Ucrânia com o Ocidente.

"A corte deixou a determinação (original) sem mudanças", disse uma porta-voz do tribunal. Tymoshenko, adversária do presidente Viktor Yanukovich, negou qualquer irregularidade e disse que as acusações tinham motivações políticas, uma visão compartilhada pela União Europeia.

Tymoshenko, que foi primeira-ministra duas vezes, mas perdeu a disputa pela presidência para Yanukovich em fevereiro de 2010, disse que seu julgamento era uma vingança de seu arqui-rival.

Ela enviou o caso para a Corte Europeia de Direitos Humanos.

Conhecida pela trança loira em forma de coroa ela vive uma autêntica montanha-russa desde que foi escolhida deputada em 1998. Quando presidia o comitê de orçamentos da Rada Suprema (legislativo ucraniano), o então primeiro-ministro reformista Viktor Yushchenko a nomeou vice-primeira-ministra de Energia.

Durante um ano e meio em que exerceu o cargo, Yulia tentou "pôr ordem" em um terreno minado pela corrupção e roubo de matérias-primas e também solucionar o problema da dívida com a Rússia, o que lhe valeu o apelido de "Princesa do Gás".

No entanto, sua gestão não foi vista com bons olhos pelo presidente Leonid Kuchma, que conseguiu sua destituição em janeiro de 2001. Desde então, a carismática líder política dedicou todas as suas energias para criticar Kuchma e o premiê Yanukovich. Após as eleições presidenciais de novembro de 2004, Yulia incentivou as massas nas ruas de Kiev a apoiar Yushchenko e denunciar a fraude, movimento popular de protesto que ficou conhecido como Revolução Laranja.

Com a vitória final de Yushchenko nas eleições, Yulia se transformou na principal candidata a dirigir o novo governo pró-Ocidente. Entretanto, ela só ocupou o cargo de primeira-ministra de 4 de fevereiro a 7 de setembro de 2005, quando foi destituída por Yushchenko e substituída por Yuri Yekhanurov depois que vários colaboradores foram acusados de corrupção e tráfico de influência e a gestão de Yulia foi duramente criticada.

Mais tarde, o trabalho incansável de oposição dela deu frutos. Nas eleições legislativas antecipadas de setembro de 2007, Yulia foi a segunda mais votada com mais de 30% dos votos. Após várias semanas de consultas, seu partido criou uma nova maioria parlamentar laranja com a formação presidencialista "Nossa Ucrânia - Autodefesa Popular", que permitiu a Yulia ser aprovada como primeira-ministra.

Depois de alguns meses de gestão, ela rompeu definitivamente relações com Yushchenko, então presidente, que lhe acusou de má gestão econômica durante a crise. No entanto, sua ambição era se transformar em presidente, por isso ela decidiu se candidatar às eleições presidenciais de 2010, quando foi derrotada no segundo turno por Yanukovich. Desde então começaram os problemas para Yulia, que tentou unir as forças da oposição para causar dificuldades ao governo do primeiro-ministro pró-Rússia Nikolai Azárov.

Em maio de 2010 foi aberto um processo penal contra Yulia pelo desvio de bilhões de euros em fundos públicos e, um ano depois, ela foi acusada de se exceder em suas funções ao assinar em 2009 um contrato de gás com a Rússia.

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