Justiça italiana ratifica prisão perpétua para 16 chefes da Camorra

Roma - O Tribunal de Apelação de Nápoles, na Itália, confirmou hoje as 16 sentenças de prisão perpétua impostas em primeira instância no histórico julgamento dos chefes da família dos Casalesi, considerada a mais poderosa e impiedosa da organização mafiosa Camorra.

EFE |

Entre os 36 acusados, foram sentenciados à prisão perpétua 16 chefes da família dos Casalesi, como Francesco Schiavone, apelidado de "Sandokan", de 55 anos e preso desde 1988, e Francesco Bidognetti, enquanto Michele Zagaria e Antonio Iovine foram condenados por contumácia, já que estão foragidos.

O Tribunal também confirmou outras 14 condenações, de penas de dois a 30 anos para o resto dos acusados.

A sentença de hoje confirma as 16 cadeias perpétuas emitidas na primeira grande operação contra a Camorra, realizada em 2005, que ficou conhecida como "Spartacus", assim como a operação policial entre Itália e Espanha que permitiu a detenção de mais de 100 supostos membros da máfia napolitana.

Nesse julgamento, no qual mais de 500 testemunharam, foi revelada a rede de atividades ilegais dos Casalesi, como o controle da coleta de lixo e resíduos tóxicos, e os homicídios nas guerras internas da Camorra.

A sentença de hoje mudou as penas de dois acusados, ao condenar à prisão perpétua Luigi Diana, sentenciado em 2005 a nove anos de prisão, enquanto a Justiça diminuiu para 30 anos a condenação perpétua que pesava sobre Giuseppe Russo.

Em primeira instância, tinham sido julgados 126 supostos membros da Camorra, dos quais 21 foram condenados à prisão perpétua, mas depois se decidiu pela separação do processo em dois, e agora será realizado o julgamento de apelação dos outros réus.

Durante a leitura da sentença, estava presente o escritor Roberto Saviano, autor do best seller "Gomorra", que descreve as atividades ilegais do clã dos Casalesi.

Saviano, que após a publicação do livro precisou de escolta policial, afirmou que as "condenações representam uma vitória do Estado, embora seja só o início".

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