A justiça italiana abriu investigação por homicídio voluntário contra 14 pessoas, entre elas o pai de Eluana Englaro, a mulher morta depois de ter sido desconectada de uma sonda no dia 9 de fevreiro por ordem da máxima autoridade judicial do país, depois de 17 anos em coma vegetativo.

O tribunal de Udine (nordeste), a cidade onde morreu Eluana, abriu o processo depois da denúncia apresentada por uma associação de defesa da vida, o "Comitê Verdade e Vida", informou o advogado da família Englaro, Vittorio Angiolini.

"Trata-se apenas de uma abertura de investigação, um ato motivado por uma denúncia que obriga uma ação penal", explicou Angiolini.

O pai de Eluana, Beppino Englaro, "não está preocupado", precisou Angiolini.

Além do pai, que batalhou mais de dez anos por conseguir a autorização judicial para suspender a alimentação artificial de sua filha, estão sendo investigados o pessoal médico e os administradores da clínica onde faleceu.

"Estamos tranquilos, tudo foi feito de acordo com o regulamento", precisou o advogado.

Eluana Englaro, de 38 anos, faleceu quatro dias depois de ter sido interrompida a alimentação e a hidratação, segundo o protocolo estabelecido em dezembro por uma sentença do Tribunal Supremo.

O governo conservador italiano, apoiado pela Igreja Católica e o Vaticano, desafiou o Tribunal Supremo, enfrentou o presidente da República e forçou o Parlamento a promulgar uma lei urgente em prazo recorde para mantê-la com vida, embora em vão.

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