Justiça italiana embarga bens de empresário ligado à máfia

Roma, 17 out (EFE).- Um juiz da cidade de Catania, na Sicília (Itália), decretou o embargo de bens no valor de mais de 300 milhões de euros do empresário Mario Giuseppe Scinardo, acusado de associação com a máfia Cosa Nostra, informou hoje a imprensa local.

EFE |

A ordem judicial responde a uma solicitação da Direção de Investigação Antimáfia (DIA) e dos promotores de Catania e Messina, que disseram em entrevista coletiva realizada hoje se tratar de um dos maiores patrimônios mafiosos identificados na Sicília.

Entre os bens de Scinardo, que declarava renda anual de 20 mil euros, figuram nove empresas de construção e outras atividades industriais e agrícolas, um complexo turístico de luxo, 214 terrenos com extensão total de 700 hectares, 15 imóveis entre chalés e apartamentos, 88 veículos e 500 cabeças de gado.

O empresário, que os investigadores consideram "homem de confiança" do chefe mafioso Sebastiano Rampulla, líder da Cosa Nostra na província de Messina, era investigado há anos pela promotoria, que o Banco Central da Itália informou sobre operações inverossímeis para o patrimônio e renda declarados.

Além disso, realizou supostamente grandes operações junto com Rampulla e outros mafiosos de Messina, e pôs à disposição alguns de seus imóveis para reuniões de clãs da Cosa Nostra.

Um dos elementos apreendidos de Scinardo que mais preocupou os investigadores foi a cópia de um pedido que a própria DIA havia enviado às autoridades regionais da Sicília solicitando informação sobre ajudas públicas que o empresário recebera, e que, não se sabe como, acabou nas mãos do próprio investigado.

"Infelizmente se trata de um fato verdadeiramente inquietante e pode dar um indício da capacidade de infiltração (da máfia) nas instituições, sobretudo nas regionais", afirmou na entrevista coletiva o promotor Vincenzo d'Agata.

As investigações revelaram também que Scinardo negociou a aquisição de uma propriedade imobiliária apreendida previamente de um mafioso e que havia sido oferecida, sem sucesso, em leilão público, mas que depois foi comprada por 2,5 milhões de euros. EFE ddt/fh/jp

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