Justiça inocenta policiais por morte de negro desarmado em Nova York e causa protesto

Três policiais de Nova York, que balearam com 50 tiros um jovem negro desarmado no dia de seu casamento, no bairro do Queens, foram absolvidos nesta sexta-feira, ao fim de um julgamento de oito semanas.

Redação com agências |

Reuters
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Família lamenta decisão da Justiça

Os agentes deram 50 tiros em Sean Bell, de 23 anos, no dia 25 de novembro de 2006, na saída de uma boate do Queens horas antes do casamento da vítima.

Bell estava com dois amigos no carro. Um deles, Joseph Guzman, levou 11 tiros, o outro, Trent Benefield, foi atingido por três tiros. Os dois ficaram internados por meses, mas conseguiram se recuperar.

Os detetives Michael Oliver, Gescard Isnora e Marc Cooper - inocentados hoje - despertaram, na época, acusações de racismo e brutalidade contra a polícia nova-iorquina.

O juiz Arthur Cooperman pronunciou a sentença diante da noiva de Bell e familiares da vítima. Assim que a senteça foi lida, Nicole Paultre, que era a noiva de Bell, saiu da sala gritando que não poderia ficar lá. "Eu tenho de sair daqui, eu tenho de sair daqui".

Este é o caso de violência policial mais grave dos últimos anos na cidade e o veredicto era esperado por centenas de pessoas do lado de fora da Suprema Corte do Queens.

Os manifestantes protestaram ao tomar conhecimento da absolvição. Uma mulher, que estava sentada em uma das primeiras fileiras, disse a um policial negro: "como o senhor pode sentir orgulho em vestir este uniforme?"

Na época, a polícia explicou a ação dizendo temer que os homens estivessem armados e fossem atirar. O então prefeito Michael Bloomberg disse que "os policiais tinham razões para acreditar que um confronto com armas de fogo estava para acontecer e tentaram evitar isso".

A casa noturna, onde bell tinha acabado de sair, estava sendo vigiada por causa de várias reclamações sobre a presença de armas, tráfico de drogas e prostituição no local.

Para o chefe da associação de policiais de Nova York, Patrick Lynch, com a decisão do julgamento "não há ganhadores, não há perdedores" no caso. "O que temos é uma pessoa que morreu", afirmou.

Reuters

(*com informações das agências Reuters e AFP)

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