Justiça francesa nega habeas corpus a brasileira acusada de matar marido

Denize Soares é acusada de assassinar Sébastien Brun, em 2004, durante as férias do casal no Brasil

BBC Brasil |

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Denize Soares, suspeita de matar o marido francês
A justiça francesa decidiu nesta terça-feira manter em detenção provisória a brasileira Denize Soares, suspeita de ter assassinado o marido francês, Sébastien Brun, em 2004, durante as férias do casal no Brasil.

O corpo, enterrado em uma pedreira na Bahia, só foi encontrado em 2008.

Soares, de 42 anos, corre o risco de ser condenada à prisão perpétua pelo suposto envenenamento do marido com cianureto e por ter enterrado o corpo, com a ajuda de seu irmão, em Cabuçu, vilarejo ao norte de Salvador, onde ela nasceu.

Ela nega o crime, apesar de seu irmão, Messias Soares, já ter confessado à justiça brasileira que ajudou a enterrar o corpo.

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A mulher permanecerá presa enquanto aguarda seu julgamento no tribunal criminal de Grenoble, no sudeste da França.

O julgamento ainda não tem data definida, mas acredita-se que ele ocorrerá em junho e durará três semanas.

'Charme do Brasil'

O advogado da família Brun, Claude Coutaz, disse à BBC Brasil que justiça francesa decidiu negar o pedido de habeas corpus da brasileira com base nas alegações de que ela poderia fugir para o Brasil caso fosse libertada.

Soares já está em detenção provisória na França há quatro anos e oito meses.
"A justiça também considerou, para negar o habeas corpus, que os fatos são graves e que Soares, com suas inúmeras versões contraditórias, atrasou as investigações. Se não houve julgamento até agora, é por causa da estratégia de sua defesa", afirmou Coutaz.

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O francês Sébastien Brun, morto em 2004
Brun, que tinha 31 anos, possuía uma floricultura familiar em Grenoble. O casal viajou à Bahia em agosto de 2004 com o filho, na época um bebê de oito meses, para apresentar a criança à família da brasileira.
Mas apenas Soares e o filho, Pierre, retornaram à França semanas depois. A brasileira afirmou à família do marido que Brun "caiu no charme do Brasil" e havia decidido prolongar sua estada.

A brasileira viajou ao Brasil algumas vezes para supostamente tentar convencer o marido a voltar. Após retornar para Grenoble, ela informou os pais do florista que Brun "havia feito sua vida no Brasil, alugado uma casa e que passeava pela floresta".

A brasileira também chegou a afirmar que o marido havia se lançado em atividades ilegais no Brasil envolvendo cartões de crédito.

Mulher abandonada

Durante as viagens de Soares ao Brasil, a família recebia cartões postais supostamente escritos pelo filho, mas achavam estranho que alguém que não dava notícias há meses escrevesse apenas banalidades sobre paisagens e o clima.

Parentes do florista se diziam preocupados com o sumiço de Brun, mas ninguém suspeitava da brasileira, que teria "assumido o papel de esposa abandonada".

"Ela nos dizia chorando que Sébastien a havia deixado e que ele precisava voltar para cuidar do filho. Nós a apoiávamos. Ela era como uma filha", conta a mãe da vítima, Marie-Thèrese Brun.

Quase um ano após o desaparecimento do filho, em março de 2005, seus pais decidiram viajar à Bahia para procurá-lo.

No entanto, os franceses descobriram que ninguém morava no endereço indicado e que a família da brasileira pensava que o florista tivesse voltado à França após suas férias.

Os pais de Brun alertaram a polícia francesa sobre seu desaparecimento e as investigações descobriram que as contas bancárias do florista, com saldo de 50 mil euros antes de sua viagem ao Brasil, haviam sido esvaziadas por Soares, que falsificou sua assinatura.

Ela também teria, segundo as autoridades, liquidado dois seguros de vida no valor de 30 mil euros e vendido o carro do marido.

Soares chegou a ser presa na França em 2006, mas foi libertada devido à falta de provas e ausência de um cadáver.

As investigações só puderam avançar em 2008 graças a uma testemunha anônima brasileira, que contou à polícia que o irmão de Denize estava envolvido no crime.

Interrogado pelas autoridades brasileiras, Messias Soares indicou o local onde o corpo havia sido enterrado, nos arredores de Cabuçu, e disse que sua irmã havia envenenado o florista.

O irmão será julgado no Brasil, mas aguarda o julgamento em liberdade. Ele participará, por meio de teleconferência, do julgamento da irmã na França.

O caso está tendo repercussão na imprensa francesa, que apelidou a brasileira de "viúva negra". Segundo investigadores franceses, Soares "possui duas caras".

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