Buenos Aires, 20 jan (EFE).- A Justiça brasileira extraditou hoje para a Argentina o militar uruguaio Manuel Cordero Piacentini, acusado por um juiz de Buenos Aires de crimes de lesa-humanidade cometidos durante a Operação Condor, esquema de repressão das ditaduras sul-americanas na década de 70.

Major aposentado do Exército uruguaio, Cordero Piacentini é um dos acusados do desaparecimento de pelo menos dez pessoas presas em Buenos Aires durante a ditadura argentina (1976-1983), segundo fontes judiciais.

O militar, que é casado há 32 anos com uma brasileira, é acusado também do sequestro de um bebê, depois conhecido como Aníbal Armando Parodim, durante a Operação Condor, assim como de 32 casos de tortura contra detidos em 1976 em uma prisão clandestina na Argentina.

O acusado fugiu do Uruguai em 2004 e foi preso em 2007 na cidade de Santana do Livramento (RS), onde permaneceu até a conclusão do julgamento de extradição e foi entregue hoje a agentes da Polícia Internacional (Interpol, na sigla em inglês) na vizinha cidade argentina de Paso de los Libres.

O juiz federal de Buenos Aires Norberto Oyarbide o interrogará amanhã, segundo porta-vozes do magistrado, que instrui de forma provisória uma causa por violações dos direitos humanos cometidos na Operação Condor.

Tanto Argentina, como Uruguai, pediram a extradição de Cordero Piacentini, mas a Justiça brasileira rejeitou o pedido uruguaio porque os crimes ocorreram em território argentino. EFE alm/bba

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.