Justica espanhola investigará sobre os desaparecidos da guerra e do franquismo

O juiz espanhol Baltasar Garzón anunciou nesta quinta-feira sua competência para iniciar uma investigação sobre os desaparecidos da Guerra Civil espanhola e do franquismo, assim como pediu a abertura de várias valas comuns, entre elas a que contém os restos do poeta Federico García Lorca.

AFP |

Garzón se declarou competente para investigar os desaparecimentos durante o franquismo abrindo formalmente uma instrução sobre as milhares de vítimas da Guerra Civil esquecidas nas valas comuns.

Garzón decidiu "aceitar a competência para realizar esta investigação por supostos delitos permanentes de detenção, sem dar razão do paradeiro, no contexto de crimes contra a Humanidade", segundo o auto difundido pela Audiência Nacional, principal instância penal espanhola.

Esta decisão responde às demandas apresentadas por várias associações de famílias de vítimas republicanas para que a justiça investique o desaparecimento de seus parentes durante a Guerra Civil (1936-39) e a ditadura franquista (1939-75), localizando os corpos e esclarecendo as circunstâncias de sua morte.

As denúncias também assinalam a "existência de um plano sistemático e pré-concebido de eliminação dos oponentes políticos a partir de assassinatos, torturas, exílio e desaparecimentos forçados de pessoas a partir de 1936, durante os anos da Guerra Civil e os seguintes do pós-guerra", segundo afirma o auto de Garzón, de 68 páginas.

O juiz, que ordenou a criação de um grupo de especialistas e da polícia judicial, autoriza exumações de valas em 19 localidades espanholas "a maior urgência" a cargo dos juizados regionais e da polícia judicial", segundo o texto oficial.

Uma das valas é a que contém os restos de Federico García Lorca junto com o professor Dióscoro Galindo e dos toreiros anarquistas, todos eles executados em 1936, perto de Granada pelas forças anti-republicanas.

A família do poeta, que sempre se opôs à abertura da vala, anunciou no mês passado que aceitava a exumação.

"Não vamos impedir. Apesar de não gostarmos da idéia, respeitamos os desejos das outras partes envolvidas", declarou ao jornal El País Laura García Lorca, sobrinha do poeta e porta-voz da familia.

Após a divulgação da notícia, um representante das famílias das vítimas manifestou sua alegria pela decisão da justiça espanhola.

Emilio Silva, presidente da Associação para a Recuperação da Memória Histórica (ARMH), que há oito anos exuma valas e identifica os desaparecidos dessa época, em ajuda estatal, enfatizou que se a promotoria espanhola se opuser à investigação, seu grupo buscará outros tipos de atuação jurídica dentro e fora da Espanha.

fz-esb/cn/fp

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