Uma juíza federal dos Estados Unidos rejeitou uma ação movida por um casal de Pittsburgh que alegava que a ferramenta Street View, do Google Maps, violava a privacidade. A ferramenta Street View mostra fotos em 360 graus, no nível da rua, tiradas por veículos do Google especialmente equipados para fazer essas imagens.

Christine e Aaron Boring processaram o Google depois que fotos da residência do casal apareceram no programa gratuito de mapeamento e pediam uma indenização de US$ 25 mil.

As acusações do casal contra o Google foram de violação de privacidade, negligência, invasão de propriedade e enriquecimento ilícito.

Mas, em sua decisão, a juíza Amy Reynolds Hay afirmou que o casal "não conseguiu sustentar sua alegação em nenhuma das acusações".

"Estamos satisfeitos com o fato de a juíza ter decidido que o processo não tinha mérito", afirmou o Google em um comunicado à BBC.

As fotografias que estão no centro da ação movida pelo casal Boring foram tiradas na entrada da garagem e mostram a casa, uma área da piscina e a própria garagem, separada da casa. Sinais marcam a rua como particular.

O Google retirou as fotografias depois que o casal entrou com o processo. A ação judicial alegava que a ferramenta Street View causou a Christine e Aaron Boring "sofrimento mental" e diminuiu o valor do imóvel.

"É fácil imaginar que muitas pessoas, cujas propriedades aparecem nos mapas virtuais do Google, se preocupem com as implicações em relação à privacidade, mas é difícil acreditar que qualquer um - a não ser os extremamente sensíveis - iria sofrer com vergonha e humilhação", escreveu a juíza Amy Reynolds Hay, em sua decisão.

A juíza também sugeriu que a ação judicial do casal Boring tornou possível que um maior número de pessoas visse a foto da residência.

"Os Borings não discutem o fato de que eles permitiram que imagens importantes permanecessem no Google Street View, já que há um procedimento disponível para removê-las", escreveu a juíza.

"Além disso, eles também não bloquearam o acesso às imagens eliminando seu endereço do processo ou entrando com a ação sob sigilo", acrescentou.

A juíza concluiu que a publicidade, na verdade, perpetuou a disseminação do nome e endereço do casal e resultou na frequente publicação das imagens no Street View.

O Google, por sua vez, afirma que a companhia respeita a privacidade individual e disponibiliza ferramentas para manter esta privacidade.

"Nós tiramos o foco de rostos que podem ser identificados e placas de carros no Street View e oferecemos ferramentas de remoção fáceis de usar para que os usuários possam decidir sozinhos se querem ou não que uma imagem apareça", diz a empresa.

"É lamentável que os envolvidos decidam entrar com uma ação ao invés de usar estas ferramentas", acrescentou o Google em seu comunicado.

A ferramenta Street View foi lançada em 2007 e, devido a questões ligadas à privacidade, o Google começou a tirar o foco de imagens dos rostos das pessoas que apareciam nas fotografias.

A companhia já argumentou, comentando o processo antes da decisão, que "atualmente a tecnologia de imagem por satélite significa que até mesmo nos desertos a privacidade completa não existe".

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