Justiça do Irã vai julgar 20 manifestantes, mas começa a libertar presos

Vinte pessoas detidas durante os distúrbios de junho em resposta à reeleição do presidente iraniano Mahmud Ahmadinejad serão julgadas a partir de sábado por atentar contra a segurança nacional, mas os outros manifestantes presos serão libertados até sexta-feira, anunciou nesta quarta-feira a agência oficial IRNA.

AFP |

Segundo a agência IRNA, essas 20 pessoas são acusadas de perturbar a ordem e a segurança, por vínculos com hipócritas (termo utilizado para se referir aos mudjahedines do povo), de atentados com bomba, de porte de armas de fogo e granadas, e ataques contra as forças de ordem e os milicianos islamitas, e de envio de imagens (das manifestações) à imprensa dos inimigos.

Ao menos 20 pessoas morreram e centenas ficaram feridas durante as violentas manifestações que seguiram às eleições presidenciais de 12 de junho.

Centenas de pessoas foram detidas durante estas manifestações sem precedentes desde a Revolução Islâmica de 1979 e 200 continuariam detidas.

Mas o procurador-geral iraniano, Ghorbanali Dori-Najafabadi, indicou nesta quarta que grande parte dos manifestantes ainda detidos serão libertados até sexta-feira. As autoridades já libertaram 140 pessoas na terça-feira.

Nesse sentido, a secretária de Estado americana Hillary Clinton enviou uma mensagem ao Irã.

"Achamos fundamental que as autoridades iranianas libertem os presos políticos", declarou Clinton em coletiva de imprensa conjunta com seu colega britânico, David Miliband.

Por sua parte, o grande aiatolá dissidente Hossein Ali Montazeri criticou os dirigentes iranianos pela morte de manifestantes presos.

"Os presos são submetidos à tortura que os obriga a confessar e todos os dias corpos de presos são entregues a suas famílias", denunciou.

A imprensa informou sobre a morte de quatro manifestantes na prisão. As autoridades insistem que dois deles morreram por causa de uma meningite.

Os dois chefes do movimento opositor, Mir Hosein Musavi e Mehdi Karubi, visitarão nesta quinta-feira os túmulos dos mortos nas manifestações de 20 de junho, segundo anunciou um site opositor.

sgh/cn

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