Um dia após Ahmadinejad anunciar liberação iminente dos jovens, Judiciário iraniano diz que caso ainda está sendo examinado

A Justiça do Irã negou nesta quarta-feira a libertação iminente dos americanos Shane Bauer e Josh Fattal, condenados a oito anos de prisão por espionagem e entrada ilegal no Irã, dizendo que o caso ainda está sendo examinado. Na terça-feira, o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, afirmou que os jovens seriam libertados “em dois dias” sob fiança de US$ 500 mil (R$ 838,3 mil) cada.

Horas depois, uma autoridade do Ministério das Relações Exteriores de Omã informou que o país enviou um avião para Teerã, em meio aos esforços para libertar os americanos.  No ano passado, Omã enviou uma aeronave ao Irã para libertar uma terceira americana presa com Bauer e Fattal.

Shane Bauer (esq) e Josh Fattal são vistos durante julgamento em Teerã (06/02/2011)
AFP
Shane Bauer (esq) e Josh Fattal são vistos durante julgamento em Teerã (06/02/2011)

A notícia da libertação dada por Ahmadinejad foi confirmada pelo advogado dos dois jovens, Massoud Shafii. Porém, em comunicado divulgado nesta quarta-feira, o Poder Judiciário iraniano disse que as informações de que os jovens seriam libertados em dois dias “não são válidas”.

“Um pedido de libertação sob fiança apresentado pelo advogado (dos americanos) está sendo examinado pelos juízes responsáveis pelo caso", afirma o texto. "Informações sobre o caso serão dadas pelo Poder Judiciário. Qualquer informação dada por indivíduos não é oficial”, acrescentou, em clara advertência a Ahmadinejad.

O presidente iraniano fez o anúncio da libertação dos jovens em entrevista à emissora americana NBC. Depois, ao jornal Washington Post, afirmou se tratar de um “gesto humanitário” e um “perdão unilateral”.

Em comunicado divulgado na terça-feira, o Departamento de Estado dos EUA afirmou que busca “detalhes” sobre a libertação dos americanos. “Estamos cientes destas informações da imprensa e estamos trabalhando com a Suíça (que representa os interesses americanos no Irã, em razão da ausência de relações diplomáticas bilaterais) para obter mais detalhes", disse o texto.

Em 21 de agosto, o procurador-geral de Teerã, Abbas Jaafari Doulat Abadi, confirmou oficialmente a sentença de oito anos de prisão para Bauer e Fattal, detidos em 2009 ao lado de Sarah Shourd quando faziam trilhas em uma área montanhosa do Curdistão iraquiano, onde a fronteira entre Irã e Iraque é difusa.

Há um ano, Sarah foi libertada por motivos de saúde e humanitários, pagando uma fiança de US$ 500 mil. Ela voltou para os EUA, mas seus dois companheiros permaneceram em uma prisão de Teerã.

Ao confirmar a sentença de Bauer e Fattal, Abadi esclareceu que os condenados tinham 20 dias para recorrer da sentença, o que foi feito pelo advogado de ambos.

A audiência final do julgamento contra Fattal, Bauer e Sarah ocorreu em 31 de julho e a sentença, segundo a lei, devia ter sido divulgada antes de 7 de agosto.

Em 6 de agosto, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Ali Akbar Salehi, manifestou que estava torcendo para que o julgamento de Fattal e Bauer resultasse na libertação dos dois e acrescentou que a justiça iraniana tinha seguido o caso de forma "justa".

Ao mesmo tempo, Salehi pediu "a libertação dos iranianos detidos nos EUA" e citou Shahrzad Mir Gholi Khani, acusada de espionagem pelas autoridades de Washington.

Os três acusados tinham se declarado inocentes e haviam pedido a absolvição. Segundo eles, em nenhum momento tiveram intenção de entrar em território iraniano. Eles disseram ter se perdido e errado o caminho.

Com AFP e EFE

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