Ordem ocorre após tabloide divulgar nomes de homossexuais no país onde está em tramitação lei sobre pena de morte para gays

Na capital Kampala, tabloide causou polêmica dentro e fora de Uganda (2/11/2010)
AFP
Na capital Kampala, tabloide causou polêmica dentro e fora de Uganda (2/11/2010)
A Justiça de Uganda ordenou temporariamente que um tabloide do país pare de publicar listas nas quais são identificados homossexuais, depois de uma organização ativista ter entrado com processo contra o jornal.

A ordem foi emitida depois de o jornal Rolling Stone – que não tem ligação com a revista americana de música – ter publicado uma lista com supostos gays, pedindo aos leitores que os denunciassem à polícia.

Em sua última edição, o jornal prometeu listar 100 do que chamou de "principais gays do país". Em edição anterior, foram listados diversos gays e lésbicas, com fotos e endereços, e um alerta em amarelo que dizia: “Enforque-os”.

Na ordem temporária, o juiz Musoke Kibuuka proibiu também ao Rolling Stone a publicação de nomes ou fotos de qualquer um “acusado de ser gay, lésbica, ou homossexual em geral”.

De acordo com a rede de TV CNN, a diretoria da organização Minorias Sexuais de Uganda, que abriu um processo de invasão de privacidade contra a publicação, recebeu com otimismo a decisão da Justiça. “Essa é uma lição. Pelo menos a lei mostrou alguma inteligência. Isso mostra que a mídia não pode invadir os direitos das pessoas e violar sua privacidade”, disse Frank Mugisha, diretor da organização ativista.

Asilo

Em meio à polêmica após a publicação, ativistas americanos pediram que so Estados Unidos e outros países ofereçam asilo para os gays de Uganda. Os ativistas reafirmaram também o papel de igrejas de orientação evangélica no aumento de perseguições a homossexuais em Uganda. Eles pediram também que o Departamento de Estado ofereça vistos para quem é vítima de perseguição homofóbica dentro do país, assim como aqueles que se encontram sob ameaça.

Segundo grupos de defesa dos direitos homossexuais, ao menos quatro pessoas foram atacadas desde que o tabloide publicou a lista.

Em Uganda, está em tramitação no Parlamento uma lei que pode tornar a homossexualidade sujeita à pena de morte.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.