Justiça condena à prisão britânicos que mataram jovem negro

Gary Dobson e David Norris foram condenados a ao menos 14 anos de prisão por crime ocorrido há 18 anos em Londres

iG São Paulo |

Um juiz britânico sentenciou dois homens nesta quarta-feira a ao menos 14 anos de prisão por esfaquear um adolescente negro até à morte em Londres há quase 20 anos - um crime que expôs o racismo na polícia e fez a família da vítima enfrentar uma longa batalha por justiça.

Leia também: Britânicos são declarados culpados por homicídio cometido há 18 anos

O assassinato de Stephen Lawrence, 18 anos, em 1993 chocou o país. Levou 18 anos para que dois culpados fossem condenados, enquanto outros três suspeitos continuam foragidos. O juiz Colman Treacy qualificou o assassinato como um crime perverso e motivado por ódio racial. Ele sentenciou Gary Dobson a um mínimo de 15 anos e dois meses, e David Norris a 14 anos e três meses.

O pai de Dobson gritou "que vergonha" da galeria após o anúncio da sentença na Corte Criminal Central de Londres. Quando o juiz se levantou para deixar o local após ter deliberado a condenação, alguns presentes começaram a aplaudir.

Norris fez um sinal positivo com o polegar para as pessoas que estavam na galeria em seu apoio ao chegar no tribunal. Os dois homens se declararam inocentes das acusações.

Treacy disse que as sentenças foram mais curtas do que muitos esperavam, uma vez que os dois eram adolescentes quando o crime ocorreu. O juiz acrescentou que um adulto hoje condenado por um homicídio racista seria condenado a, no mínimo, 30 anos na cadeia, mas como Dobson tinha 17 anos e Norris, 16, ele poderia dar apenas um mínimo de 12 anos.

Ele acrescentou um período extra, por conta da natureza racista do ataque e porque nenhum dos dois mostrou remorso. Fora da corte, a mãe de Lawrence, Doreen, disse que os assassinos ficaram com penas curtas, mas que "as mãos do juiz estavam atadas".

Ela disse que as sentenças eram "o começo de uma nova vida, porque nós estávamos no limbo por muito tempo". "Hoje, nós vamos começar a seguir em frente, e é hora de tomar o controle da minha vida mais uma vez", disse.

Enquanto anunciava a sentença de Dobson e Norris, Treacy disse que os dois pertenciam a "uma gangue racista e assassina". Ele disse que de acordo com as evidências do julgamento não poderia ser provado quem, evidentemente, empunhava a faca que matou Lawrence.

Outros três homens também foram presos depois do assassinato de Lawrence, mas nunca foram condenados pelo crime. Do lado de fora da corte, o pai de Stephen, Neville Lawrence, disse esperar que Dobson e Norris possam identificar os outros membros da gangue.

Neville disse que eles deveriam "ir deitar em suas camas e pensar que eles não são os únicos responsáveis pela morte do meu filho". Doreen e Neville Lawrence se divorciaram seis anos depois do assassinato do filho - Doreen disse que se sentia "sozinha e sem apoio" nos anos em que seguiram a morte de Stephen.

O chefe da polícia de Londres Bernard Hogan-Howe disse que sua equipe não desistirá de tentar incriminar os outros assassinos. "As outras pessoas envolvidas no assassinato de Stephen Lawrence não deveriam dormir tranquilamente."

AP
Fotos divulgadas pelo seviço de Justiça britanico mostram Gary Dobson e David Norris

Lawrence foi morto em abril de 1993 por cinco jovens que gritaram insultos racistas e esfaquearam-no no braço e no peito, enquanto ele esperava por um ônibus em um ponto ao lado de um amigo.

A polícia prendeu cinco suspeitos, incluido Dobson e Norris, e acusou dois de homicídio. Mas o Estado abandonou o caso, dizendo que não havia provas suficientes.

A família de Lawrence conseguiu uma permissão em 1994 para montar uma investigação privada, e os mesmos cinco jovens foram citados como culpados. Mas dois deles foram soltos antes do julgamento, e o caso foi interrompido em abril de 1996, quando um juiz determinou que as provas que identificaram os réus restantes eram "inadmissíveis".

O inquérito chefiado pelo ex-juiz William MacPherson elaborou um relatório em 1999, acusando a polícia de Londres de "incompetência profissional e racismo institucional".

A polícia, então, voltou a cuidar do caso de Stephen e uma equipe forense, usando de técnicas que não existiam em 1993, encontraram vestígios do DNA de Lawrence na jaqueta de Dobson.

Com AP

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