Justiça chinesa anuncia primeiras condenações por distúrbios no Tibete

Pequim, 29 abr (EFE).- A Justiça chinesa anunciou hoje as primeiras 30 condenações de responsáveis por distúrbios em Lhasa, inclusive de seis monges.

EFE |

Todas as sentenças, as primeiras por causa das revoltas no Tibete, foram dadas hoje pelo Tribunal Intermediário Popular de Lhasa e vão desde três anos de reclusão à prisão perpétua, publicou a agência oficial chinesa "Xinhua".

Os três condenados à prisão perpétua são o motorista Soi'nam Cering, nascido em 1988, um monge chamado Basang, cuja idade não foi divulgada, e o empresário Cering, de 30 anos.

Soi'nam Cering foi acusado de atear fogo contra vários veículos nas proximidades do Mosteiro de Johkang, no centro de Lhasa, além de danificar delegacias de Polícia e atacar bombeiros e carros de bombeiros.

O jovem motorista foi condenado pelos crimes de "provocação de incêndio" e "interrupção dos serviços públicos", enquanto a informação oficial não disse por quais crimes os outros acusados foram responsabilizados.

O monge Basang, como muitos cidadãos tibetanos, foi acusado de destruir um escritório do Governo local e 11 lojas, além de atacarem policiais que estavam em serviço.

Dos cinco monges que acompanhavam Basang, dois foram sentenciados a 20 anos e três a 15 anos de prisão.

Cering é um empresário do condado de Lingzhou, a 70 quilômetros de Lhasa, e foi condenado por "incitar outros a incendiarem e saquearem lojas e veículos durante os episódios violentos que aconteceram no condado nos dias 15 e 16 de março".

Consultado hoje pela Agência Efe, o Tribunal disse que não podia dar mais informações sobre as sentenças e que elas serão divulgadas pela imprensa oficial chinesa.

Trata-se da primeira sentença judicial relacionada aos protestos em Lhasa, nas quais, segundo o Governo chinês, 19 pessoas morreram (18 civis e um policial), enquanto, de acordo com os tibetanos no exílio, a repressão policial às manifestações deixou 203 mortos.

Segundo os números oficiais, os manifestantes incendiaram sete escolas, cinco hospitais e 120 casas, além de causarem danos a 908 lojas e prejuízos de mais de US$ 35 milhões.

Após os distúrbios de Lhasa, organizados por separatistas tibetanos e voltados principalmente contra emigrantes chineses e muçulmanos na cidade, as autoridades de Pequim prometeram ser "clementes" com quem se entregasse nas horas seguintes.

Segundo o código penal chinês, as graves alterações da ordem com grandes prejuízos econômicos e mortes podem ser punidas com a pena de morte.

Centenas de pessoas que foram presas por causa dos protestos em Lhasa e os que aconteceram em outras regiões do Tibete em março ainda aguardam uma sentença.

Após o anúncio das sentenças, o Ministério de Assuntos Exteriores chinês disse através de sua porta-voz, Jiang Yu, que a China administrou o incidente de 14 de março "de acordo com a lei" e, durante o processo, "aqueles que violaram as leis chinesas foram punidos segundo as leis chinesas".

As sentenças foram dadas poucos dias após o Governo chinês anunciar, na última sexta, que aceita se reunir com emissários do líder espiritual dos tibetanos, o dalai lama, após meses de interrupção do diálogo e depois de a comunidade internacional, inclusive a União Européia (UE), exigir que Pequim retome as negociações.

Na entrevista coletiva de hoje, Jiang negou que a China tenha agido em resposta a estas pressões internacionais, destacando que o Governo do país "nunca cederá a qualquer pressão internacional em temas que concernem integridade territorial e soberania nacional".

"Estamos confiantes de que podemos fazer bem nosso trabalho e esperamos que a comunidade internacional apóie nossos esforços para salvar a soberania nacional e garantir a estabilidade", concluiu a porta-voz. EFE abc/wr/fal

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