Justiça chilena ordena retenção de bens de empresa mineradora

Requerimento sobre valor de US$ 1,8 milhão da mineradora San Esteban foi tomado em tribunal no Atacama

iG São Paulo |

A justiça chilena ordenou, nesta quinta-feira, a retenção de bens no valor de US$ 1,8 milhão de dólares da mineradora San Esteban, proprietária da jazida San José, onde estão presos há três semanas 33 mineiros . Segundo fontes judiciais, os donos deveriam receber essa quantia do Estado pela venda de cobre.

A decisão foi tomada pelo Juzgado de Letras de Copiapó, tribunal da cidade localizada a 800 km ao norte de Santiago. O dinheiro, 900 milhões de pesos (US$ 1,8 milhão), deveria ser transferido pela Empresa Nacional de Mineração (Enami) à proprietária, San Esteban.

O tribunal acolheu a petição do advogado Edgardo Reinoso, que representa 26 das 33 famílias, como parte de uma demanda indenizatória contra os donos da mina.

AFP
Parentes de mineiros presos carregam colchão para acampamento próximo ao local do acidente, onde estão acampados
Reinoso acrescentou ainda que foi "solicitada a nomeação de um interventor de modo a que seja um terceiro a administrar os recursos e os bens da 'Minera San Esteban', que ainda está sendo analisado".

Operação

Na mina San José, região do Atacama, 830 km ao norte de Santiago, engenheiros trabalham para colocar em funcionamento a Raise Borer Strata 950, uma máquina perfuradora de 30 toneladas cedida pela estatal Corporação do Cobre (Codelco) que permitirá tirar os mineiros das profundezas.

A perfuradora chegou pedaço por pedaço ao longo desta semana. No sábado deve estar pronta para começar a escavar o túnel que será usado para resgatar as vítimas. Inicialmente o túnel terá 38 centímetros de diâmetro, para depois ser ampliado para cerca de 66 centímetros.

Um dos operários que manejará a enorme máquina assegurou que as tarefas de perfuração serão lentas, mas que é "impossível" não darem resultado.

"Fazer o duto é um trâmite fácil, mas demora devido à quantidade de metros que temos de avançar. É impossível falhar, porque já fizemos este trabalho várias vezes", contou o trabalhador.

Alimento

Enquanto se preparam para dar início à escavação, equipes de resgate coordenadas pelo governo fornecem aos mineradores água engarrafada e alimentos através das sondas com as quais conseguiram se conectar com eles. O envio é feito através de cápsulas metálicas de 12 centímetros de diâmetro chamadas de "pombas", que descem até a mina através de uma corda e de um sistema de polia.

Nesta quarta-feira os mineradores comeram uma barra de cereal, seu primeiro alimento sólido, já que desde segunda-feira eles vinham se alimentando apenas de um mingau de alto valor nutritivo.

Jorge Sanhueza, gerente de sustentabilidade da Codelco, explicou que desde sábado os mineiros recebem "uma dieta de 2 mil calorias diárias e quatro litros de líquido para cada um", mas que pouco a pouco serão enviadas quantidades maiores de calorias. Além disso, os operários receberam oxigênio e remédios.

Famílias dos mineiros acompanham as operações com atenção no acampamento Esperanza, localizado próximo ao local do acidente. Nesta quinta-feira, parentes aceitaram a recomendação das autoridades e organizaram turnos com seus familiares para deixar os arredores da mina e voltar a seus lares e a seus trabalhos.

*Com AFP e EFE

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