Justiça britânica liberta Julian Assange sob fiança

Fundador do WikiLeaks, que pode ser extraditado para a Suécia, conseguiu liberdade condicional sob fiança de R$ 527,5 mil

iG São Paulo |

Depois de uma semana preso, o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, conseguiu liberdade condicional sob fiança. A decisão foi dada nesta terça-feira por um juiz britânico, em Londres.

O asutraliano de 39 anos foi liberdato sob uma fiança de US$ 310 mil (R$ 527,5 mil) e ainda enfrenta a possibilidade de ser extraditado para a Suécia, onde é réu em dois processos, nos quais é acusado de crimes sexuais.

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Protestos pró-Assange em frente à embaixada sueca em Londres
De acordo com a decisão, Assange deve aguardar em liberdade até a próxima audiência do caso, marcada para 11 de janeiro. Seu passaporte foi confiscado e ele será monitorado eletronicamente, devendo permanecer em sua residência todos os dias entre 10h e 16h e entre 22h e 2h.

Desde a sua prisão, na semana passada, Assange conta com o apoio de diversas celebridades, como o cineasta americano Michael Moore, o jornalista e documentarista australiano John Pilger e a socialite britânica Jemima Khan, que haviam oferecido pagar a fiança do fundador do site que vazou documentos diplomáticos americanos.

Além das personalidades internacionais, o australiano é apoiado por hackers, que nos últimos dias atacaram sites que boicotaram o WikiLeaks.

O grupo Anonymous ameaçou atacar sites do governo britânico se a Justiça local aprovar sua extradição para a Suécia. Na semana passada, o grupo começou uma ofensiva na internet contra empresas e instituições que puniram Assange e o WikiLeaks após o vazamento de cerca de 250 mil documentos secretos da diplomacia americana.

Após empresas de cartão de crédito, como a Visa e a Mastercard, terem cancelado os pagamentos destinados ao WikiLeaks, suas páginas na internet foram atacadas pelo grupo de hackers. Sites do governo sueco e de entidades suíças também foram alvo de ataques dos ativistas.

Recurso

A Promotoria sueca recorrerá da decisão da Justiça britânica de libertar Assange, informou nesta terça-feira seu advogado, Mark Stephens.

Assange alega que as acusações têm motivação política. Na audiência, ele acusou as empresas que deixaram de prestar serviços ao seu site de estarem a serviço da política externa dos EUA, e pediu ajuda para que seu trabalho seja protegido de "ataques ilegais e imorais".

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Assange é fotografado dentro de veículo da polícia, na chegada ao tribunal, em Londres
Em conversa com sua mãe na prisão britânica, ele disse que não vai se intimidar. "Minhas convicções são firmes. Continuo firme aos ideais que expressei. As circunstâncias não irão abalá-los", disse Assange, de 39 anos, segundo nota entregue por sua mãe, Catherine, a uma TV australiana.

"Sabemos agora que Visa, Mastercard, Paypal e outras são instrumentos da política externa dos EUA. Não é algo que sabíamos antes", disse Assange. "Estou pedindo ao mundo para que proteja meu trabalho e minha equipe desses ataques ilegais e imorais."

*Com Reuters e AP

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