Justiça britânica abre inquérito sobre escutas ilegais

Comissão tem 12 meses para apresentar conclusões de investigação sobre relação entre mídia, polícia e políticos

iG São Paulo |

AFP
O juiz Brian Levenson, durante pronunciamento nesta quinta-feira em Londres
O juiz britânico Brian Levenson abriu oficialmente nesta quinta-feira o inquérito público sobre o escândalo de escutas ilegais do extinto tabloide News of the World , que chamou atenção para o relacionamento estreito entre políticos, polícia e organizações de mídia.

A comissão responsável pela investigação é formada por outros seis integrantes, entre eles dois jornalistas, um ex-chefe de polícia e um ativista das liberdades civis. Segundo Levenson, em primeiro lugar o grupo vai avaliar a legislação relativa aos meios de comunicação e se é necessário fazer alterações. "Haverá um debate sobre os limites da ideia de interesse público", indicou o juiz.

Depois, a investigação vai analisar a relação entre a imprensa, a polícia e os políticos na Grã-Bretanha. As audiências públicas começarão em setembro e o grupo tem 12 meses para finalizar um relatório sobre o caso.

Levenson afirmou que tem o poder legal para exigir evidências das testemunhas e que planeja utilizá-lo, caso elas se recusem a colaborar com as investigações.

"Para algumas pessoas oode ser tentador sugerir que o problema é ou era apenas de um grupo de jornalistas do News of the World, mas eu encorajo a todos a pensar de forma mais ampla sobre o bem público e me ajudar a chegar à raiz do problema', afirmou.

BSkyB

Nesta quinta-feira, uma importante reunião pode decidir o futuro de James Murdoch , filho do magnata Rupert Murdoch, o dono da News Corporation . A empresa era dona do News of the World e está no centro do escândalo das escutas telefônicas.

A reunião é do conselho que dirige a British Sky Broadcasting, rede de televisão por satélite britânica conhecida como BSkyB e uma das principais ambições europeais de Rupert Murdoch. Será o primeiro encontro da direção da empresa desde o início do escândalo que forçou a News Corp. a abandonar a oferta para comprar os 61% de ações em circulação da BSkyB que não possui.

"A maior questão é saber se James Murdoch irá se manter presidente", disse Steve Liechti, analista da Investec Securities em Londres. "Dadas as questões envolvendo a News Corp. e a posição de James Murdoch dentro desse negócio, a diretoria pode achar que sua presença não é apropriada”.

A reunião acontece quando a Ofcom, a regulador da radiodifusão britânica, dá andamento às investigações para saber se a BSkyB permanece "idônea e competente" para possuir uma licença de transmissão depois do escândalo envolvendo a News Corp. As ações da BSkyB caíram 14% desde os últimos capítulos do escândalo.

Com AP, AFP e New York Times

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