Justiça arquiva caso Madeleine, mas pais dizem que continuarão buscas

Lisboa, 21 jul (EFE).- A Justiça portuguesa arquivou hoje, por falta de provas, o caso do desaparecimento da menina britânica Madeleine, após 14 meses de investigação, e retirou as suspeitas sobre Kate e Gerry McCann, pais da criança, que afirmam que continuarão a buscar sua filha.

EFE |

Um curto comunicado de dez linhas também eximiu de toda culpa o terceiro suspeito, o também britânico Robert Murat, e admitiu o fracasso de uma investigação que rodou o mundo e ainda deixa muitas dúvidas.

"Não foram obtidas provas da prática de delito algum", reconhece a Promotoria portuguesa, que só reabrirá o caso "se surgirem novos elementos de prova que originem diligências sérias, pertinentes e coerentes".

Em um rápido comparecimento perante a imprensa no Reino Unido, os pais de Madeleine cumprimentaram a decisão, mas asseguraram que não tinham nada a comemorar.

"É difícil descrever o desespero que sentimos ao sermos considerados 'argüidos' e, posteriormente, sermos retratados na imprensa como suspeitos do desaparecimento de nossa própria filha", disse Kate McCann, que considerou "devastador" o efeito que essa suspeita teve na busca de Madeleine." O advogado português do casal, Rogério Alves, afirmou que "infelizmente" o caso se encerra sem se conhecer o que ocorreu na noite do desaparecimento da menina, enquanto os representantes legais de Murat ficaram felizes com o fim do "pesadelo" de seu cliente.

O casal de médicos britânicos, católicos fervorosos, organizou uma campanha internacional sem precedentes em seu gênero para encontrar Madeleine, mas abandonaram Portugal precipitadamente em setembro passado, após serem submetidos a intensos interrogatórios e declarados suspeitos.

Na resolução que decidiu o arquivamento do caso, e faltando a divulgação do sumário quando transcorram diversos prazos e formalidades, os promotores não se pronunciaram sobre alguns dos detalhes que as autoridades policiais e a imprensa portuguesa já revelaram.

O mais importante deles, que jogou as suspeitas mais fortes sobre o envolvimento dos McCann em uma hipotética morte acidental de sua filha, foram os vestígios de sangue e da presença de um cadáver em seu domicílio, roupa e objetos pessoais, assim como no porta-malas do automóvel que eles alugaram após perder a menina.

A Promotoria também não comentou as análises de DNA realizadas no Reino Unido sobre estes restos, que segundo a Polícia Judicial não deram resultados totalmente conclusivos, embora houvesse muitas possibilidades de pertencer a Madeleine.

Faltam ainda esclarecer os testemunhos - contraditórios, segundo diversas fontes - dos pais de Madeleine e dos amigos que os acompanhavam em um jantar em um restaurante na noite do dia 3 de maio de 2007, quando a menina desapareceu enquanto dormia junto aos outros dois irmãos menores.

Ela estava prestes a completar quatro anos de idade.

Com a decisão de hoje, a Promotoria portuguesa também descartou tomar alguma atitude contra os McCann por deixarem sozinhos seus três filhos enquanto saíram para jantar.

Entretanto, Gonçalo Amaral, ex-detetive chefe do caso da menina britânica Madeleine que foi ridicularizado pela imprensa britânica e teve que se aposentar com 48 anos, ainda não deu sua última palavra sobre o desaparecimento da criança.

Segundo disseram seus representantes à Agência Efe, Amaral apresentará na próxima quinta-feira seu esperado livro sobre o caso que lhe custou a carreira na Polícia Judicial, apesar de o segredo do sumário ainda não ter sido levantado formalmente.

O ex-detetive foi afastado após criticar publicamente o apoio da Polícia britânica aos McCann e se mostrou convencido de que havia indícios relevantes para abrir um processo judicial. EFE ecs/rb/rr

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