Justiça alemã retoma julgamento do criminoso nazista John Demjanjuk

Berlim, 21 dez (EFE).- O julgamento do criminoso nazista John Demjanjuk foi retomado hoje, em Munique, depois de ter sido suspenso no último dia 2, em virtude de uma gripe do acusado.

EFE |

Demjanjuk é acusado de cumplicidade no assassinato de 27.900 judeus no campo de concentração de Sobibor, na Polônia. Ele serviu no lugar como guarda voluntário ("trawniki") entre março e outubro de 1943.

Nascido na Ucrânia, em 1920, Demjanjuk foi capturado pelas tropas de Hitler em 1942. De soldado soviético, ele virou prisioneiro de guerra e, posteriormente, guarda voluntário em Sobibor e em outros campos.

Nos anos 1950, mudou-se para os Estados Unidos como vítima do nazismo e trocou seu nome de batismo de Ivan para John.

Esta é a primeira vez que a Alemanha processa um estrangeiro acusado de participar do aparelho nazista como guarda voluntário.

O campo de Sobibor era exclusivamente dedicado ao extermínio de judeus de toda a Europa. Estima-se que aproximadamente 250 mil pessoas morreram lá, a maioria em câmaras de gás.

O único dos poucos sobreviventes do campo a participar do julgamento como testemunha de acusação é Thomas Blatt, nascido na Polônia e de 82 anos, mas que já disse que não condições de reconhecer o acusado. As outras 22 testemunhas da acusação são familiares de vítimas, e, por isso, também não podem identificar o acusado.

O principal trunfo da acusação é a carteira de Demjanjuk na SS (tropa de choque nazista), segundo a qual ele serviu no campo de Sobibor por seis meses.

Os "trawniki" eram mais temidos que os integrantes da SS por sua extrema crueldade. Segundo a Promotoria alemã, Demjanjuk participou conscientemente do extermínio nazista, já que o campo polonês era usado só para isso. EFE ih/sc

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